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AgRg no HC 202400658139 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 894501
- Registro
- 202400658139
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- ROGERIO SCHIETTI CRUZ
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-06-11
- Data de publicação
- DJEN DATA:16/06/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 11/06/2025
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. INTERCEPTAÇÃO
TELEFÔNICA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL BASEADA EXCLUSIVAMENTE EM DENÚNCIA
ANÔNIMA. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÕES PRELIMINARES. NÃO OBSERVÂNCIA
DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI N. 9.296/1996. INEXISTÊNCIA DE
INDÍCIOS RAZOÁVEIS DE AUTORIA. IMPRESCINDIBILIDADE DA MEDIDA NÃO
DEMONSTRADA. NULIDADE DAS PROVAS OBTIDAS E DAS DERIVADAS. VIOLAÇÃO
DO ART. 5º, XII, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AGRAVO REGIMENAL NÃO
PROVIDO.
1. O habeas corpus, embora vocacionado à proteção do direito de
locomoção (art. 5º, LXVIII, da CF), tem cabimento contra atos
judiciais com potencial de causar, ainda que indiretamente,
restrições à liberdade de ir e vir, como ocorre com decisões que
relativizam o sigilo de dados telefônicos para fins probatórios em
processo penal, desde que as alegações estejam lastreadas em prova
pré-constituída e se limitem à aplicação do direito ao caso
concreto, sem necessidade de aprofundada incursão no conjunto
probatório.
2. A interceptação telefônica, por constituir medida excepcional de
restrição a direito fundamental, exige o preenchimento dos
requisitos estabelecidos na Lei n. 9.296/1996, notadamente a
existência de indícios razoáveis de autoria delitiva e a
demonstração da impossibilidade de obtenção da prova por outros
meios disponíveis.
3. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a notícia
anônima de crime, por si só, não é apta para instaurar inquérito
policial, o que torna necessária a prévia verificação de sua
credibilidade mediante apurações preliminares.
4. Configura constrangimento ilegal a autorização de interceptação
telefônica baseada unicamente em denúncias anônimas, sem realização
de investigações preliminares que corroborem a verossimilhança das
informações e demonstrem a presença de indícios mínimos de autoria.
5. Declarada a nulidade das provas obtidas mediante quebra de sigilo
telefônico e de todas as que delas derivaram, deve o Juízo de
origem verificar se remanescem elementos probatórios autônomos
suficientes para manutenção da denúncia.
6. Agravo regimental não provido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.