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AgRg no REsp 202304202605 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2111038
- Registro
- 202304202605
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- REYNALDO SOARES DA FONSECA
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-06-11
- Data de publicação
- DJEN DATA:16/06/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 11/06/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.
NULIDADE EM JULGAMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI. MENÇÃO AO SILÊNCIO DO
ACUSADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. AGRAVO NÃO PROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério
Público do Estado do Rio Grande do Sul contra decisão que conheceu
em parte e, nessa extensão, negou provimento a recurso especial,
mantendo a nulidade do julgamento pelo Tribunal do Júri.
II. Questão em discussão
2. A questão em discussão consiste em saber
se a menção ao silêncio do acusado pelo Ministério Público,
configura nulidade do julgamento, conforme o art. 478, II, do Código
de Processo Penal.
3. Outra questão em discussão é se a referência à escalada criminosa
do réu, que lhe permitiria ter condições financeiras para
constituir advogados, viola o direito à plenitude de defesa,
conforme o art. 5º, XXXVIII, "a", da Constituição Federal.
III. Razões de decidir
4. O Tribunal de origem concluiu que houve
prejuízo à defesa devido à manifestação do Ministério Público sobre
o direito ao silêncio do réu, configurando nulidade do julgamento.
5. A menção à escalada criminosa do réu foi considerada violação ao
direito constitucional da plenitude de defesa, influenciando o
convencimento dos jurados.
6. Alterar a conclusão do Tribunal de origem acerca do
reconhecimento de prejuízo à defesa demandaria o revolvimento do
acervo fático-probatório, o que é incabível em recurso especial,
conforme a Súmula 7/STJ.
7. A menção à escalada criminosa do réu, resolvida a luz do preceito
constitucional da ampla defesa, não é possível de análise pelo
Superior Tribunal de Justiça, até mesmo para fins de
prequestionamento, sob pena indevida de usurpação de competência do
Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 102 da Constituição
Federal.
IV. Dispositivo e tese
8. Agravo regimental não provido.
Tese de julgamento: "1. Revisar a conclusão do Tribunal de origem
acerca do reconhecimento de prejuízo à defesa demandaria o
revolvimento do acervo fático-probatório. 2. A conclusão de
cerceamento de defesa à luz do preceito constitucional não é
passível de reanálise em recurso especial".
Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 478, II, 593, III, "a";
CF/1988, art. 5º, XXXVIII, "a".Jurisprudência relevante citada:
STJ, AgRg no HC 907.404/BA, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
Quinta Turma, julgado em 10.06.2024; STJ, AgRg no HC 860.509/SC,
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 19.02.2025.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.