← Jurioteca
AgInt no AREsp 202201186647 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2113230
- Registro
- 202201186647
- Classe
- AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-06-30
- Data de publicação
- DJEN DATA:04/07/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 30/06/2025
Ementa
DIREITO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. DANOS MORAIS. DISPARO
DE ARMA DE FOGO QUE ATINGIU CLIENTE QUES ESTAVA DENTRO DE CASA
LOTÉRICA. RESPONSABILDIADE OBJETIVA DE AMBOS OS RÉUS. LOTÉRICA E
EMPRESA DE TRANSPORTE DE VALORES. TRANSPORTE DE VALORES. TEORIA DO
RISCO. ASSALTO, RISCO INERENTE. QUANTUM INDENIZATÓRIO. DISSIDIO
JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS
RECORRIDO DE PARADIGMA. AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo interno interposto contra decisão que negou provimento ao
agravo em recurso especial, com fundamento na não demonstração de
violação de dispositivos legais e na incidência da Súmula n. 7 do
STJ, além da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido
e o acórdão paradigma.
2. A parte agravante, empresa de transporte de valores, contesta a
atribuição de responsabilidade pelo falecimento de cliente em
assalto ocorrido em casa lotérica, alegando que sua atuação é
limitada e que não compete a ela evitar atos criminosos.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. Há duas questões em discussão: (i) saber se a empresa de
transporte de valores pode ser responsabilizada objetivamente, com
base na teoria do risco, por danos decorrentes de assalto em casa
lotérica, considerando a natureza de sua atividade; (ii) saber se há
a possibilidade de revisão do quantum indenizatório fixado pelo
Tribunal de Justiça, à luz da alegada ausência de similitude fática
entre os acórdãos confrontados.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. A responsabilidade objetiva da empresa de transporte de valores é
confirmada, pois os riscos de assaltos são inerentes à sua
atividade, não podendo ser considerados como caso fortuito ou força
maior.
5. A revisão do quantum indenizatório esbarra na Súmula n. 7 do STJ,
uma vez que demandaria reexame do acervo fático-probatório dos
autos.
6. Não foi demonstrada a similitude fática entre os acórdãos
confrontados, inviabilizando a comprovação de dissídio
jurisprudencial.
IV. DISPOSITIVO E TESE
7. Agravo interno desprovido.
Tese de julgamento: "1. A empresa de transporte de valores assume
os riscos inerentes à sua atividade, incluindo assaltos, e responde
objetivamente por danos decorrentes. 2. A revisão do quantum
indenizatório não é cabível quando demanda reexame de provas,
conforme Súmula n. 7 do STJ. 3. A ausência de similitude fática
entre acórdãos inviabiliza a comprovação de dissídio
jurisprudencial".
Dispositivos relevantes citados: CDC, art. 14; CC, arts. 186, 927.
Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp n. 1.565.331, relator
Ministro Raul Araújo, DJe 3/9/2024.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.