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AgRg no HC 202500285563 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 978158
- Registro
- 202500285563
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- CARLOS CINI MARCHIONATTI (DESEMBARGADOR CONVOCADO TJRS)
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-06-18
- Data de publicação
- DJEN DATA:26/06/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 18/06/2025
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS
CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA DA PENA. MAUS ANTECEDENTES.
PERÍODO DEPURADOR. INAPLICABILIDADE. REINCIDÊNCIA. CONDENAÇÕES
DISTINTAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não
conheceu de habeas corpus impetrado em favor de paciente condenado
pelo crime de tráfico de drogas (art. 33, caput, da Lei n.
11.343/2006), à pena de 6 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão, em
regime inicial fechado, e 680 dias-multa, no qual se alegava
exasperação ilegal da pena-base em razão de maus antecedentes
decorrentes de condenações que já teriam ultrapassado o prazo
depurador da reincidência.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A questão em discussão consiste em definir se há ilegalidade na
dosimetria da pena que considerou, na primeira fase, maus
antecedentes resultantes de condenações anteriores com prazo
depurador da reincidência já transcorrido e, na segunda fase, a
agravante da reincidência específica baseada em condenação diversa.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. É defeso o uso de habeas corpus como substitutivo de recurso
próprio ou de revisão criminal, salvo em casos excepcionais de
flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, o que não
se verifica na espécie.
4. Segundo o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal,
no RE 593.818 (Tema 150 da repercussão geral), o prazo quinquenal
previsto no art. 64, I, do Código Penal aplica-se apenas à
reincidência, não impedindo a utilização de condenações anteriores
para caracterizar maus antecedentes, mesmo condenações extintas há
mais de 5 anos.
5. Não há bis in idem na utilização de condenações anteriores
transitadas em julgado como fundamento para a fixação da pena-base
acima do mínimo legal, por maus antecedentes, e para exasperar a
pena na segunda fase, por reincidência, desde que as utilizadas em
cada fase sejam distintas, como ocorreu no caso dos autos.
6. Na primeira fase da dosimetria, a Corte estadual reconheceu a
existência de maus antecedentes com fundamento nos Processos n.
0000630-86.2008.8.26.0257 e 0002528-42.2005.8.26.0257, enquanto, na
segunda fase, foi reconhecida a reincidência específica com base na
condenação registrada no Processo n. 0002033-80.2014.8.26.0257.
7. As circunstâncias judiciais desfavoráveis que resultaram na
fixação da pena-base acima do mínimo legal, somadas à reincidência
do paciente, justificam a adoção do regime fechado para o início do
cumprimento da pena imposta.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento: 1. As condenações anteriores transitadas em
julgado e extintas há mais de 5 anos, embora não configurem
reincidência por força do período depurador previsto no art. 64, I,
do Código Penal, podem ser validamente utilizadas para caracterizar
maus antecedentes na primeira fase da dosimetria. 2. Não há bis in
idem na utilização de condenações distintas para valorar
negativamente os antecedentes na primeira fase da dosimetria e para
reconhecer a reincidência na segunda fase. 3. A existência de
circunstâncias judiciais desfavoráveis e a reincidência justificam a
fixação do regime inicial fechado para cumprimento de pena superior
a 4 anos de reclusão.
Dispositivos relevantes citados: CP, art. 64, I; Lei nº 11.343/06,
art. 33, caput; CPP, arts. 647-A e 654, § 2º; Lei nº 14.836, de
8/4/2024.
Jurisprudência relevante citada: STF, RE 593.818 (Tema 150 da
repercussão geral); STJ, AgRg no AREsp n. 2.293.248/DF, Rel. Min.
Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, j. 27/2/2024; STJ, AgRg no HC n.
981.839/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j.
20/3/2025; STJ, AgRg no HC n. 526.085/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
Quinta Turma, j. 3/12/2019; STJ, AgRg no HC n. 895.777/PR, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. 2/4/2024; STJ, AgRg no
HC n. 864.465/SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, j.
18/3/2024; STF, HC 225896 AgR, Rel. Min. Luís Roberto Barroso,
Primeira Turma, j. 15/5/2023.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.