← Jurioteca
AgRg no RHC 202403739604 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 205383
- Registro
- 202403739604
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- OTÁVIO DE ALMEIDA TOLEDO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJSP)
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-06-11
- Data de publicação
- DJEN DATA:26/06/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 11/06/2025
Ementa
DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS.
COMPETÊNCIA DA VARA ESPECIALIZADA EM VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. AGRAVO
REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão que negou provimento
ao recurso ordinário em habeas corpus, no qual se questiona a
competência da Vara Especializada de Violência Doméstica para
processar e julgar ação penal por crime de estupro supostamente
praticado em contexto de violência doméstica.
II. Questão em discussão
2. A discussão consiste em determinar se a Vara Especializada de
Violência Doméstica e Familiar é competente para julgar o caso,
considerando a alegação do agravante de que o crime de estupro não
se enquadra como violência doméstica e familiar contra a mulher,
conforme a Lei Maria da Penha.
3. A questão também envolve a legalidade da apreensão de um aparelho
telefônico e a quebra de sigilo telefônico, além da coleta de
material genético sem consentimento e da alegação de abuso de
autoridade durante o interrogatório policial.
III. Razões de decidir
4. A Lei Maria da Penha se aplica a qualquer ação ou omissão baseada
no gênero que cause sofrimento à mulher no contexto de uma relação
íntima de afeto, não exigindo coabitação ou vínculo financeiro entre
as partes.
5. A jurisprudência estabelece que o namoro é uma relação íntima de
afeto e que a agressão do namorado contra a namorada configura
violência doméstica, atraindo a competência da Vara Especializada.
6. A apreensão do aparelho telefônico foi considerada legal, pois
não houve comprovação de que o aparelho pertencia ao agravante, e a
Defesa não demonstrou prejuízo advindo da suposta ilegalidade.
7. A quebra de sigilo telefônico foi realizada mediante
representação da autoridade policial, não havendo ilegalidade no
procedimento.
8. A coleta de material genético é admitida em resquício orgânico
que não mais integra o corpo do indivíduo, mesmo sem consentimento,
conforme jurisprudência do STJ.
9. O interrogatório policial foi considerado válido, uma vez que o
agravante foi informado de seus direitos constitucionais, incluindo
o direito ao silêncio.
IV. Dispositivo e tese
10. Agravo regimental não provido.
Tese de julgamento: 1. A Lei Maria da Penha se aplica a qualquer
ação ou omissão baseada no gênero que cause sofrimento à mulher no
contexto de uma relação íntima de afeto. 2. A apreensão de aparelho
telefônico sem comprovação de propriedade pelo agravante não
configura ilegalidade. 3. A quebra de sigilo telefônico mediante
representação da autoridade policial é legal. 4. A coleta de
material genético em resquício orgânico é admitida sem
consentimento. 5. O interrogatório policial é válido quando o
acusado é informado de seus direitos constitucionais.
Dispositivos relevantes citados: Lei n. 11.340/2006, art. 5º,
inciso III; CPP, art. 6º, inciso II. Jurisprudência relevante
citada: STJ, AgRg no AREsp n. 2.009.832/AM, Rel. Min. Sebastião
Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 26/4/2022; STJ, AgRg no RHC n.
191.030/SP, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em
4/12/2024.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.