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AgRg no HC 202404830485 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 969933
- Registro
- 202404830485
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- OTÁVIO DE ALMEIDA TOLEDO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJSP)
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-06-18
- Data de publicação
- DJEN DATA:25/06/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 18/06/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS.
PRONÚNCIA POR HOMICÍDIO QUALIFICADO. LEGÍTIMA DEFESA. QUALIFICADORA.
AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do
habeas corpus e não concedeu a ordem, de ofício, em virtude da
ausência de ilegalidade manifesta. O agravante foi pronunciado pela
prática, em tese, do crime de homicídio qualificado (art. 121, § 2º,
inciso IV, do Código Penal).
2. A Defesa interpôs recurso em sentido estrito, que foi negado pelo
Tribunal de origem. No habeas corpus, sustentou legítima defesa e
ausência de dolo, pleiteando a despronúncia ou, subsidiariamente, o
afastamento da qualificadora de emboscada.
II. Questão em discussão
3. A discussão consiste em saber se há elementos suficientes para
reconhecer a legítima defesa ou a ausência de dolo e se a
qualificadora de emboscada pode ser afastada na sentença de
pronúncia.
III. Razões de decidir
4. A decisão de pronúncia exige indícios de autoria e materialidade,
não sendo necessária a certeza exigida para a condenação. A
presença de indícios suficientes e materialidade, sob o
contraditório, inclusive,, justifica a submissão ao Tribunal do
Júri.
5. A exclusão de qualificadoras na sentença de pronúncia só é
admitida quando demonstrada, sem sombra de dúvida, sua inexistência,
o que não se verifica no caso.
6. A análise de legítima defesa e ausência de dolo demandaria exame
do contexto fático-probatório, inviável na via estreita do habeas
corpus.
IV. Dispositivo e tese
7. Agravo regimental não provido.
Tese de julgamento: 1. A decisão de pronúncia exige indícios de
autoria e materialidade, não sendo necessária a certeza exigida para
a condenação, desde que não se sustentem exclusivamente na fase
extrajudicial. 2. A exclusão de qualificadoras na sentença de
pronúncia só é admitida quando demonstrada, sem sombra de dúvida,
sua inexistência. 3. A análise de legítima defesa e ausência de dolo
demanda exame do contexto fático-probatório, inviável na via
estreita do habeas corpus.
Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 121, § 2º, IV;
Código de Processo Penal, art. 413.Jurisprudência relevante citada:
STF, AgRg no HC 180.365, Min. Rosa Weber, Primeira Turma, julgado
em 27.03.2020; STJ, AgRg no AREsp 1441680/GO, Min. Ribeiro Dantas,
Quinta Turma, julgado em 04.04.2019.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.