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AgRg no REsp 202202611464 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2021498
- Registro
- 202202611464
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- DANIELA TEIXEIRA
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-06-10
- Data de publicação
- DJEN DATA:02/07/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 10/06/2025
Ementa
Ementa: DIREITO INTERNACIONAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL
EM RECURSO ESPECIAL. OPERAÇÃO LAVA-JATO. RESTITUIÇÃO DE BENS
APREENDIDOS. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA BRASILEIRA. COOPERAÇÃO JURÍDICA
INTERNACIONAL. MEDIDAS ASSECURATÓRIAS. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA
MANUTENÇÃO DA CONSTRIÇÃO PATRIMONIAL. CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO.
AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão que conheceu de
recurso especial e concedeu ordem de ofício para determinar o
levantamento de medidas assecuratórias sobre bens apreendidos em
cooperação jurídica internacional. O recorrente sustenta que a
decisão agravada violou o princípio da colegialidade, a Súmula
283/STF e que a concessão da ordem de ofício seria indevida.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há três questões em discussão: (i) definir se a competência para
decidir sobre a restituição dos bens apreendidos no âmbito da
cooperação jurídica internacional pertence à Justiça brasileira;
(ii) analisar se a manutenção das medidas assecuratórias, após
absolvição do recorrente e nulidade declarada pelo STF, encontra
fundamento legal; e (iii) estabelecer se a concessão da ordem de
ofício pelo STJ foi adequada.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A Justiça brasileira detém competência para decidir sobre o
destino dos bens apreendidos no âmbito da cooperação jurídica
internacional, conforme previsão expressa do Decreto 8.833/2016
(Convenção de Auxílio Judiciário em Matéria Penal entre os Estados
Membros da CPLP) e do art. 46, 24, da Convenção de Mérida.
4. As medidas assecuratórias patrimoniais são regidas pelo princípio
rebus sic stantibus, exigindo constante reavaliação de seus
fundamentos. No caso, o recorrente foi absolvido nas ações penais
relacionadas e teve declarada a nulidade absoluta de todos os atos
processuais vinculados à Operação Lava Jato, tornando insubsistente
a manutenção da constrição patrimonial.
5. A concessão da ordem de ofício para o levantamento das medidas
assecuratórias encontra amparo na jurisprudência do STJ, que admite
a revisão de medidas restritivas patrimoniais quando configurada
ilegalidade manifesta ou violação de direitos fundamentais.
IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.