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AgRg no HC 202303916398 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 864893
- Registro
- 202303916398
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- MESSOD AZULAY NETO
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-06-24
- Data de publicação
- DJEN DATA:30/06/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 24/06/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS
SUBSTITUTIVO. EXAME CRIMINOLÓGICO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério
Público do Estado de São Paulo contra decisão que não conheceu do
habeas corpus, mas concedeu a ordem de ofício para restabelecer a
decisão do juízo da execução, que não exigia exame criminológico
para progressão de regime.
2. A agravada foi condenada pelos crimes de roubo majorado e
sequestro qualificado em concurso material às penas de 09 anos, 11
meses e 23 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 16
dias-multa.
II. Questão em discussão
3. A questão em discussão consiste em saber
se a exigência de exame criminológico para progressão de regime,
conforme a Lei n. 14/843/2024, pode ser aplicada retroativamente,
configurando novatio legis in pejus.
III. Razões de decidir
4. A exigência de exame criminológico para
progressão de regime constitui novatio legis in pejus, pois adiciona
requisito mais gravoso, tornando mais difícil alcançar regimes
prisionais menos severos.
5. A retroatividade da norma que impõe exame criminológico é
inconstitucional, conforme o art. 5º, XL, da Constituição Federal, e
ilegal, nos termos do art. 2º do Código Penal.
6. A lei penal mais gravosa não retroage para alcançar crimes
cometidos antes de sua vigência, justificando a concessão parcial da
ordem de ofício para restabelecer a decisão do juízo da execução.
IV. Dispositivo e tese
7. Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento: "1. A exigência de exame criminológico para
progressão de regime, conforme a Lei n. 14/843/2024, constitui
novatio legis in pejus e não pode ser aplicada retroativamente. 2. A
retroatividade de norma penal mais gravosa é inconstitucional e
ilegal, não alcançando crimes cometidos antes de sua vigência."
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.