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AgInt no AREsp 202303530083 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2504446
- Registro
- 202303530083
- Classe
- AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-06-30
- Data de publicação
- DJEN DATA:04/07/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 30/06/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. OBRAS DE CONSTRUÇÃO EM HOTEL
VIZINHO. DANOS AO IMÓVEL VIZINHO. SEQUELAS MÉDICAS EM CRIANÇA. ONUS
DA PROVA. PERSUASÃO RACIONAL DO MAGISTRADO. LAUDO PERICIAL. REVISÃO
DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo interno interposto contra decisão que negou provimento ao
agravo em recurso especial, em razão da incidência da Súmula n. 7 do
STJ, que impede a revisão de matéria fático-probatória.
2. A parte agravante alega que o recurso especial não discute
matéria fática, mas sim matéria de direito, especificamente a
validade e legalidade das restituições diante das excludentes
apontadas, e que houve infração ao art. 373, I, do CPC.
3. O Tribunal a quo concluiu que os danos ao imóvel tornaram-no
inabitável e causaram sequelas médicas em uma criança, confirmando a
existência de nexo causal direto entre a obra realizada no prédio
vizinho e os danos causados.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há duas questões em discussão: (i) saber se a decisão do Tribunal
a quo, fundamentada na análise das provas dos autos, incluindo o
laudo pericial, pode ser revista em sede de recurso especial, à luz
da Súmula n. 7 do STJ; (ii) saber se houve infração ao art. 373, I,
do CPC, em relação à distribuição do ônus da prova, considerando a
alegação de que a perícia foi inconclusiva.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. A decisão do Tribunal a quo deve ser mantida, pois qualquer
revisão demandaria a reapreciação do acervo fático-probatório, o que
é vedado pelo STJ, conforme a Súmula n. 7.
6. O magistrado é o destinatário das provas e tem soberania para
formar seu convencimento, conforme o princípio da persuasão
racional, reforçado pela jurisprudência do STJ.
7. O nexo causal foi adequadamente estabelecido pelo Tribunal a quo,
configurando ofensa aos direitos de personalidade, e não há
violação aos dispositivos legais citados.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Agravo desprovido.
Tese de julgamento: "1. A revisão de matéria fático-probatória é
vedada em sede de recurso especial, conforme a Súmula n. 7 do STJ.
2. O magistrado é o destinatário das provas e tem soberania para
formar seu convencimento, conforme o princípio da persuasão
racional. 3. O nexo causal deve ser estabelecido como causa adequada
ou determinante para a ocorrência de prejuízos sofridos pela
vítima".
Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 373; STJ, Súmula n. 7.
Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp n. 1.214.790/SP, relator
Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em
14/4/2015; STJ, AgInt no REsp n. 2.148.364/DF, relator Ministro
Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 14/10/2024; STJ,
REsp n. 1.787.026/RJ, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino,
Terceira Turma, julgado em 26/10/2021.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.