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AgInt no AREsp 202500758330 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2874835
- Registro
- 202500758330
- Classe
- AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-06-30
- Data de publicação
- DJEN DATA:04/07/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 30/06/2025
Ementa
DIREITO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
RESPONSABILIDADE CIVIL DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. VIOLAÇÃO DO ART.
489 DO CPC. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. TRANSAÇÕES FINANCEIRAS
ATÍPICAS. AUSÊNCIA DE MEDIDAS ADEQUADAS PELA INSTITUIÇÃO
FINANCEIRA. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. ART. 14, § 3º, DO CDC.
NÃO VERIFICADA. REEXAME DE PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA
N. 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PREJUDICADO. AGRAVO INTERNO
DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo interno interposto contra decisão que negou provimento ao
agravo em recurso especial com fundamento na ausência de violação do
art. 489 do CPC e na incidência da Súmula n. 7 do STJ, em ação de
responsabilidade civil contra instituição financeira por falha na
prestação de serviço, permitindo que fraudadores realizassem
transações financeiras atípicas na conta da recorrida.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. As questões em discussão consistem em: (i) saber se a instituição
financeira pode ser responsabilizada por falha na prestação de
serviço ao não impedir transações financeiras atípicas realizadas
por fraudadores na conta da recorrida; e (ii) saber se a decisão
recorrida violou dispositivos legais ao não considerar as
excludentes de responsabilidade previstas no Código de Defesa do
Consumidor.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A responsabilidade das instituições financeiras é objetiva,
fundamentada no risco da atividade, exceto quando demonstrada a
culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros, conforme o art. 14, §
3º, II, do CDC.
4. A falha na prestação de serviço foi reconhecida pelo Tribunal de
Justiça do Estado de Goiás, que constatou a ausência de medidas
adequadas para impedir transações atípicas, o que caracteriza
defeito no serviço prestado.
5. A revisão do entendimento do Tribunal de origem demandaria
reexame do acervo fático-probatório, o que é vedado pela Súmula n. 7
do STJ.
6. A incidência da Súmula n. 7 do STJ quanto à interposição pela
alínea a do permissivo constitucional impede o conhecimento do
recurso especial pela divergência jurisprudencial sobre a mesma
questão.
7. Não há ofensa ao art. 489 do CPC quando o tribunal de origem
decide, de modo claro, objetivo e fundamentado, as questões
essenciais ao deslinde da controvérsia, embora sem acolher a tese do
insurgente.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Agravo interno desprovido.
Tese de julgamento: "1. A responsabilidade das instituições
financeiras é objetiva, exceto quando demonstrada a culpa exclusiva
do consumidor ou de terceiros. 2. A falha na prestação de serviço
por não impedir transações atípicas caracteriza defeito no serviço
prestado. 3. A revisão de fatos e provas é vedada em recurso
especial, conforme a Súmula n. 7 do STJ. 4. A incidência da Súmula
n. 7 do STJ quanto à interposição pela alínea a do permissivo
constitucional impede o conhecimento do recurso especial pela
divergência jurisprudencial sobre a mesma questão. 5.Não há ofensa
ao art. 489 do CPC quando o tribunal de origem decide, de modo
claro, objetivo e fundamentado, as questões essenciais ao deslinde
da controvérsia, embora sem acolher a tese do insurgente".
Dispositivos relevantes citados: Código de Defesa do Consumidor,
art. 14, § 3º, II; Código Civil, arts. 186 e 927.Jurisprudência
relevante citada: STJ, REsp n. 1.995.458/SP, relatora Ministra
Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 9/8/2022; STJ, AgInt no
AREsp n. 1.728.279/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma,
julgado em 8/5/2023.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.