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AgRg no AREsp 202401143943 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2602761
- Registro
- 202401143943
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- CARLOS CINI MARCHIONATTI (DESEMBARGADOR CONVOCADO TJRS)
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-05
- Data de publicação
- DJEN DATA:14/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 05/08/2025
Ementa
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO (ART. 14 DA LEI N.
10.826/2003). ABSOLVIÇÃO MANTIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM.
INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. PRINCÍPIO IN DUBIO PRO REO. PLEITO
MINISTERIAL PELA CONDENAÇÃO. ALEGADA REVALORAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS.
IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO
FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público contra
decisão monocrática que negou provimento a seu recurso especial,
mantendo a absolvição do agravado da imputação da prática do crime
de porte ilegal de arma de fogo. A decisão agravada aplicou o óbice
da Súmula n. 7 deste Tribunal.
II. Questão em discussão
2. A controvérsia cinge-se a definir se a pretensão ministerial de
reforma do acórdão absolutório configura mera revaloração jurídica
da prova, passível de análise em sede de recurso especial, ou se
demanda vedado reexame do acervo fático-probatório, atraindo a
incidência da Súmula n. 7 do STJ.
III. Razões de decidir
3. O Tribunal de origem, soberano na análise de fatos e provas,
concluiu pela absolvição do réu com base no princípio in dubio pro
reo, por considerar o conjunto probatório frágil e insuficiente para
um decreto condenatório. Assentou a existência de versões não
uníssonas nem coesas entre os depoimentos colhidos, notadamente
quanto ao local onde a arma foi encontrada.
4. A pretensão do Ministério Público de que prevaleça o depoimento
de um dos policiais em detrimento das demais provas, a fim de se
obter a condenação, não constitui simples revaloração jurídica. Pelo
contrário, implica a necessidade de desconstituir a conclusão
fática das instâncias ordinárias sobre a falta de coesão e a
consequente dúvida probatória, o que exige um novo exame do mérito
da prova, providência inviável na via do recurso especial.
5. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que, se as
instâncias ordinárias, com base na análise do acervo probatório,
concluem pela insuficiência de provas para a condenação, a alteração
desse entendimento encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ.
IV. Dispositivo e tese
s
6. Agravo regimental desprovido.
Teses de julgamento: 1. A reforma de acórdão que, com fundamento no
princípio in dubio pro reo, absolve o réu por insuficiência de
provas, demanda, como regra, o reexame do conjunto
fático-probatório, o que é vedado em recurso especial, nos termos da
Súmula n. 7 do STJ. 2. Não se caracteriza como mera revaloração da
prova, mas como vedado reexame fático-probatório, a análise da
pretensão recursal que busca conferir maior peso a determinado
depoimento em detrimento de outras provas e das conclusões firmadas
pela instância ordinária acerca da coesão e suficiência do acervo
probatório.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.