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AgRg no AREsp 202402745906 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2702151
- Registro
- 202402745906
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- CARLOS CINI MARCHIONATTI (DESEMBARGADOR CONVOCADO TJRS)
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-05
- Data de publicação
- DJEN DATA:14/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 05/08/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL NÃO
CONHECIDO. ÓBICES DAS SÚMULAS 283/STF E 7/STJ. ALEGAÇÃO DE
CONDENAÇÃO FUNDADA EXCLUSIVAMENTE EM DELAÇÃO PREMIADA. INEXISTÊNCIA.
DECISÃO MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto por O. R. J. N. contra decisão
monocrática que não conheceu de agravo em recurso especial, sob os
fundamentos de ausência de impugnação específica à aplicação da
Súmula 283/STF e de incidência da Súmula 7/STJ. O agravante sustenta
que o agravo em recurso especial enfrentou de forma adequada os
fundamentos da decisão de inadmissão e que a controvérsia é de
direito, não exigindo reexame de provas. Alegou ainda que a
condenação teria se baseado exclusivamente em delação premiada não
corroborada por outras provas, em violação ao art. 4º, § 16, da Lei
12.850/2013.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se o agravo em recurso
especial impugnou de forma específica todos os fundamentos da
decisão de inadmissão, afastando os óbices das Súmulas 283/STF e
7/STJ; (ii) verificar se a condenação por corrupção passiva foi
fundada exclusivamente em delação premiada desacompanhada de provas
autônomas, em afronta à legislação vigente.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. O agravante não impugna de forma específica a aplicação da Súmula
283/STF, limitando-se a repetir os mesmos argumentos já
apresentados no recurso especial, o que inviabiliza o conhecimento
do agravo.
4. A superação do óbice da Súmula 7/STJ exige demonstração clara de
que a pretensão recursal não demanda reexame de fatos e provas, o
que não ocorreu no caso, dada a argumentação genérica da defesa
sobre revaloração jurídica.
5. A alegação de que a condenação se baseou exclusivamente em
delação premiada não se sustenta, pois o acórdão recorrido destaca
elementos autônomos e convergentes - como planilhas financeiras,
registros bancários, dados telefônicos e depoimentos - que
corroboram a delação e confirmam a materialidade e autoria do delito
de corrupção passiva.
6. A jurisprudência do STJ reconhece a validade de delações
premiadas quando corroboradas por outras provas constantes dos
autos, sendo incabível a pretensão de absolvição por insuficiência
probatória em sede de recurso especial, diante da incidência da
Súmula 7/STJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
7. Agravo desprovido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.