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AgRg no AREsp 202302349871 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2403827
- Registro
- 202302349871
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- CARLOS CINI MARCHIONATTI (DESEMBARGADOR CONVOCADO TJRS)
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-05
- Data de publicação
- DJEN DATA:14/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 05/08/2025
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO. PEDIDO DE DESCLASSIFICAÇÃO
PARA INFANTICÍDIO. DECISÃO DE PRONÚNCIA. INVIABILIDADE DE REEXAME DE
PROVAS. COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI. SÚMULAS 7 E 182/STJ.
AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não
conheceu do agravo em recurso especial com fundamento no art. 253,
parágrafo único, I, do RISTJ, ao argumento de incidência da Súmula
7/STJ. A defesa sustentava que a conduta da agravante deveria ter
sido desclassificada de homicídio qualificado (art. 121, §2º, I, III
e IV, c/c o art. 211 do CP) para infanticídio (art. 123 do CP), sob
alegação de atuação sob influência do estado puerperal.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se a requalificação
jurídica da conduta de homicídio para infanticídio, com base em
laudos unilaterais, pode ser feita sem reexame de provas; (ii)
estabelecer se é possível afastar a decisão de pronúncia quando há
indícios suficientes de autoria e materialidade, sob o fundamento de
ausência de dolo direto.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A decisão de pronúncia é ato de juízo de admissibilidade da
acusação e exige apenas prova da materialidade e indícios
suficientes de autoria, conforme o art. 413 do CPP, cabendo ao
Tribunal do Júri a apreciação da veracidade das imputações e do
correto enquadramento jurídico da conduta.
4. O acórdão recorrido fundamentou a pronúncia com base em conjunto
probatório robusto, destacando que a ré manteve o recém-nascido em
condições incompatíveis com a vida e posteriormente ocultou e
incinerou o corpo, revelando, em tese, dolo direto (animus necandi).
5. A pretensão de desclassificação para infanticídio se baseia em
laudos periciais unilaterais produzidos apenas em sede recursal, sem
contraditório, sendo inviável sua valoração como prova inequívoca
para reformar a pronúncia.
6. A requalificação jurídica pretendida demanda reanálise do acervo
fático-probatório, providência vedada na via estreita do recurso
especial, nos termos da Súmula 7/STJ.
7. A ausência de impugnação específica a todos os fundamentos da
decisão agravada atrai a incidência da Súmula 182/STJ, e a não
indicação de dispositivos legais supostamente violados acarreta a
aplicação da Súmula 284/STF.
IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.