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RHC 202501675708 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 215883
- Registro
- 202501675708
- Classe
- RECURSO ORDINARIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- RIBEIRO DANTAS
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-05
- Data de publicação
- DJEN DATA:14/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 05/08/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.
TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO AO TRÁFICO. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA.
SIGILO PROFISSIONAL. RECURSO IMPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Recurso ordinário em habeas corpus interposto
contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro,
que denegou writ impetrado para reconhecer a nulidade de
interceptação telefônica que captou diálogo entre o paciente e seu
potencial advogado.
2. O recorrente teve a prisão preventiva decretada pela suposta
prática do delito de associação para o tráfico de drogas, majorado
pelo envolvimento de adolescente, conforme os arts. 35 e 40, VI, da
Lei n. 11.343/2006.
3. A defesa alega que a interceptação de comunicação entre advogado
e cliente, ainda que obtida de modo fortuito, quando envolve
aspectos técnicos da defesa, enseja nulidade absoluta da prova.
II. Questão em discussão
4. A questão em discussão consiste em saber
se a interceptação telefônica que captou fortuitamente diálogo entre
o paciente e seu potencial advogado, sem comprovação de que o
advogado já estava constituído e tendo como objeto a medida um
comparsa, viola o sigilo profissional e enseja nulidade da prova.
III. Razões de decidir
5. A interceptação telefônica, devidamente
autorizada pelo juiz responsável, abrange a participação de
quaisquer dos interlocutores do investigado, e, sendo a comunicação
do advogado com seu cliente interceptada fortuitamente, não há
violação do sigilo profissional.
6. No caso, os diálogos interceptados tinham como objeto corréu do
paciente, e não há prova de que o advogado mencionado já tinha sido
constituído para a sua defesa, afastando a tese de violação de
sigilo profissional.
IV. Dispositivo e tese
7. Recurso improvido.
Tese de julgamento: "1. A interceptação telefônica autorizada
judicialmente que capta fortuitamente comunicação entre advogado e
cliente não viola o sigilo profissional. 2. A ausência de
comprovação de que o advogado sequer estava constituído para a
defesa do paciente reforça o afastamento da alegação de violação de
sigilo profissional".
Dispositivos relevantes citados: Lei n. 11.343/2006, arts. 35 e 40,
VI. Jurisprudência relevante citada: STJ, RMS 58.898/SE, Rel. Min.
Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 23.11.2018; STJ, AgRg no RHC
208.493/DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe
10.03.2025; STJ, AgRg no HC 520.647/RS, Rel. Min. Rogerio Schietti
Cruz, Sexta Turma, DJe 16.03.2023.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.