← Jurioteca
AgRg no AREsp 202501650156 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2932690
- Registro
- 202501650156
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- RIBEIRO DANTAS
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-05
- Data de publicação
- DJEN DATA:19/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 05/08/2025
Ementa
DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
TRÁFICO DE DROGAS. DESCLASSIFICAÇÃO PARA USO PESSOAL. AGRAVO
IMPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério
Público do Estado da Bahia contra decisão que desclassificou a
conduta do agravado de tráfico de drogas para uso pessoal, conforme
o art. 28 da Lei 11.343/06.
2. O agravado foi abordado por policiais em local conhecido pelo
tráfico de drogas, sendo encontrado em posse de 33,15g de cocaína. A
decisão de primeira instância manteve a condenação por tráfico, mas
foi desclassificada para uso pessoal em recurso especial.
II. Questão em discussão
3. A questão em discussão consiste em saber
se a quantidade de droga apreendida e as circunstâncias da abordagem
são suficientes para caracterizar o crime de tráfico de drogas ou
se devem ser consideradas para uso pessoal.
III. Razões de decidir
4. A decisão de desclassificação para uso
pessoal foi mantida, pois não há provas seguras de tráfico, como
contatos com usuários ou apetrechos típicos do tráfico, e o agravado
assumiu que a droga era para uso próprio.
5. A quantidade de droga apreendida, por si só, não é suficiente
para configurar o tráfico, devendo o decreto condenatório estar
amparado em um conjunto fático-probatório coeso e harmônico.
6. O princípio do in dubio pro reo foi aplicado, beneficiando o réu
diante da ausência de provas conclusivas sobre a prática de tráfico.
IV. Dispositivo e tese
7. Agravo improvido.
Tese de julgamento: "1. A desclassificação do crime de tráfico para
uso pessoal é cabível na ausência de provas seguras de tráfico. 2.
A quantidade de droga apreendida, isoladamente, não configura
tráfico sem outros elementos probatórios. 3. O princípio do in dubio
pro reo deve ser aplicado em benefício do réu na ausência de provas
conclusivas".
Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 244; Lei 11.343/06, art.
28.Jurisprudência relevante citada: STF, RHC 229514 AgR, Rel. Min.
Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 02.10.2023; STJ, AgRg no
AREsp 1403409/RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma,
julgado em 26.03.2019.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.