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AgRg no AREsp 202404599167 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2805964
- Registro
- 202404599167
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- CARLOS CINI MARCHIONATTI (DESEMBARGADOR CONVOCADO TJRS)
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-05
- Data de publicação
- DJEN DATA:15/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 05/08/2025
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL (ART. 217-A DO CP).
DESCLASSIFICAÇÃO PARA O CRIME DE IMPORTUNAÇÃO SEXUAL (ART. 215-A DO
CP). IMPOSSIBILIDADE. PRETENSÃO DE ABSOLVIÇÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ.
RELEVÂNCIA DA PALAVRA DA VÍTIMA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que, com
fundamento na Súmula 7/STJ, conheceu do agravo para não conhecer do
recurso especial. A parte agravante alega omissão do acórdão do
Tribunal de origem sobre a ausência de lastro probatório mínimo para
subsidiar a condenaçao e, subsidiariament, a desclassificação do
delito de estupro de vulnerável para o delito de importunação
sexual.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A questão em discussão consiste em saber se a condenação do
agravante por estupro de vulnerável pode ser mantida, diante da
alegação defensiva de insuficiência probatória e contradições nos
relatos da vítima, bem como ausência de tipicidade da conduta do
agravante e eventual desclassificação da conduta para o delito de
importunação sexual, considerando que a ofendida não apresentou
sinais de violência.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A condenação se embasou na palavra da vítima, corroborada por
prova testemunhal, de modo que conclusão diversa à de manutenção da
condenação pelo Tribunal de origem esbarraria no óbice da Súmula n.
7 do STJ, o qual impede o reexame do conjunto fático-probatório dos
autos de origem.
4. A jurisprudência do STJ afirma que o crime de estupro de
vulnerável se configura com a prática de ato libidinoso com menor de
14 anos, sendo irrelevante o consentimento da vítima ou a
experiência sexual anterior.
5. "Presente o dolo específico de satisfazer à lascívia, própria ou
de terceiro, a prática de ato libidinoso com menor de 14 anos
configura o crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP),
independentemente da ligeireza ou da superficialidade da conduta,
não sendo possível a desclassificação para o delito de importunação
sexual (art. 215-A do CP)" (REsp n. 1.954.997/SC, relator Ministro
Ribeiro Dantas, Terceira Seção, julgado em 8/6/2022, DJe de
1/7/2022.).
6. A palavra da vítima possui especial relevância em crimes contra a
liberdade sexual, não podendo ser desconsiderada quando corroborada
por outros elementos probatórios.
IV. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIIDO.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.