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REsp 202404870876 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2190532
- Registro
- 202404870876
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- DANIELA TEIXEIRA
- Órgão julgador
- TERCEIRA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-12
- Data de publicação
- DJEN DATA:15/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 12/08/2025
Ementa
DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE.
TRATAMENTO ONCOLÓGICO. NEGATIVA DE COBERTURA. INTERPRETAÇÃO
CONTRATUAL E ANÁLISE DE PROVAS PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. ROL DA ANS.
OBRIGATORIEDADE DO CUSTEIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. SÚMULAS 5,
7 E 83 DO STJ.
I. CASO EM EXAME
1. Recurso especial interposto por operadora de plano de saúde
contra acórdão que negou provimento à apelação, mantendo sentença
que a condenou ao reembolso das despesas médicas com tratamento
oncológico (radioembolização hepática com ítrio) indicado pelo
médico assistente e não autorizado administrativamente. Alega-se que
o procedimento não consta do rol da ANS nem preenche os critérios
da Diretriz de Utilização Técnica (DUT), pleiteando o afastamento da
obrigação de custeio e a improcedência dos pedidos indenizatórios.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é admissível o
reexame de cláusulas contratuais e de provas em recurso especial que
questiona a condenação da operadora ao custeio de tratamento
oncológico fora do rol da ANS; e (ii) estabelecer se a negativa de
cobertura, nessas circunstâncias, viola a legislação consumerista e
o princípio da dignidade da pessoa humana.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. O recurso especial não pode ser conhecido quando sua análise
demanda reexame do conjunto fático-probatório e interpretação de
cláusulas contratuais, providências vedadas pelas Súmulas 5 e 7 do
STJ.
4. A Corte de origem concluiu, com base em provas e no contrato, que
a negativa de cobertura foi abusiva, pois o tratamento era
necessário e indicado por médico assistente, e a recusa da operadora
baseou-se na ausência de previsão no rol da ANS.
5. A interpretação do contrato realizada pelo Tribunal Estadual se
amolda à jurisprudência do STJ, segundo a qual, em se tratando de
tratamento oncológico, a indicação médica prevalece sobre as
limitações do rol da ANS. Precedentes.
6. O acórdão recorrido também observa a Lei nº 14.454/2022, que
estabelece critérios para cobertura de procedimentos não previstos
no rol da ANS, e aplica corretamente os precedentes dos EREsp
1.886.929/SP e 1.889.704/SP.
IV. DISPOSITIVO
7. Recurso não conhecido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.