← Jurioteca
AgRg no HC 202501503514 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 999825
- Registro
- 202501503514
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- OTÁVIO DE ALMEIDA TOLEDO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJSP)
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-13
- Data de publicação
- DJEN DATA:18/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 13/08/2025
Ementa
DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. FEMINICÍDIO. PRISÃO
PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. MODUS OPERANDI VIL.
PERICULUM LIBERTATIS CONSTATADO. MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM.
POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE TESE NÃO DEBATIDA NA CORTE DE ORIGEM.
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE CONHECIDO E,
NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO. I. Caso em exame
1.Agravo regimental interposto contra decisão que denegou ordem de
habeas corpus, mantendo a prisão preventiva do agravante, acusado de
feminicídio por razões da condição do sexo feminino e motivo fútil.
2. O agravante é acusado de matar sua ex-companheira por ciúmes,
utilizando arma de fogo, em contexto de violência doméstica e
familiar, conforme denúncia e inquérito policial.
3. O Magistrado de primeiro grau e o Tribunal estadual mantiveram a
prisão preventiva, fundamentando a decisão na gravidade concreta da
conduta e no alto grau de periculosidade do agente.
II. Questão em discussão
4. A discussão consiste em saber se a prisão preventiva do agravante
deve ser revogada ou substituída por medidas cautelares diversas,
considerando a alegada inidoneidade da fundamentação da sentença de
pronúncia.
III. Razões de decidir
5. A decisão de manter a prisão preventiva está devidamente
fundamentada na necessidade de garantir a ordem pública, dada a
gravidade concreta dos crimes e a periculosidade do agente.
6. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sustenta que a
gravidade dos fatos, evidenciada pelo modus operandi, justifica a
prisão preventiva, não sendo adequadas medidas cautelares diversas.
7. A apresentação espontânea do agente à autoridade policial não é
suficiente para a revogação da prisão preventiva.
8. O entendimento desta Corte é no sentido de que não há
constrangimento ilegal no uso da técnica da motivação per relationem
quando o Magistrado singular conclui que as circunstâncias
motivadoras da prisão preventiva persistem incólumes no ato da
prolação da sentença de pronúncia. Precedentes.
9. Sob pena de incorrer em indevida supressão de instância, esta
Corte não pode conhecer da tese que sustenta que o teor do decreto
prisional do agravante teria sido copiado de outro processo
criminal, estranho ao caso concreto, uma vez que o Tribunal de
origem não emitiu juízo de valor quanto a esse tema.
IV. Dispositivo e tese
10. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa extensão, não
provido.
Tese de julgamento: 1. A gravidade concreta dos crimes e a
periculosidade do agente justificam a manutenção da prisão
preventiva. 2. A apresentação espontânea do agente não é suficiente
para a revogação da prisão preventiva.
Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 121, §2º,
incisos II e VI, §2º-A, inc. I; Lei 11.340/2006, art. 5º, incisos I,
II e III, art. 7º, inc. I; CPP, art. 312, art. 319, art. 282,
inciso II. Jurisprudência relevante citada: STJ, RHC n. 158.318/ES,
Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 29/3/2022;
STJ, AgRg no HC 704.584/RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta
Turma, julgado em 08/03/2022; STJ, AgRg no HC n. 782.442/PB, Rel.
Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 6/3/2023; AgRg
no RHC n. 194.562/MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma,
julgado em 09/09/2024.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.