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RHC 202303744316 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 188666
- Registro
- 202303744316
- Classe
- RECURSO ORDINARIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- SEBASTIÃO REIS JÚNIOR
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-12
- Data de publicação
- DJEN DATA:26/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 12/08/2025
Ementa
RECURSO EM HABEAS CORPUS. CRIMES DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, PECULATO
E CORRUPÇÃO ATIVA. OPERAÇÃO CRÉDITO VICIADO. AÇÃO PENAL EM
ANDAMENTO. PRODUÇÃO DE RELATÓRIO DE INTELIGÊNCIA FINANCEIRA (RIF N.
38799.131.6490.7724) PELO COAF POR REQUISIÇÃO DIRETA DA AUTORIDADE
POLICIAL. QUESTÃO NÃO COMPREENDIDA NO JULGAMENTO DO TEMA 990/STF.
ENTENDIMENTO DA TERCEIRA SEÇÃO DESTA CORTE SUPERIOR NO JULGAMENTO DO
AGRG NO RESP N. 2.150.571/SP. EVIDÊNCIA DE ILEGALIDADE FLAGRANTE.
RECONHECIMENTO DA ILICITUDE DOS DADOS OBTIDOS E OS DELES
DECORRENTES. AUTORIZAÇÃO PARA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA E QUEBRA DE
SIGILO DOS DADOS BANCÁRIOS DOS INVESTIGADOS. TESE DE AUSÊNCIA DE
FUNDAMENTAÇÃO. INVIABILIDADE DE EXAME. REPRESENTAÇÃO DA AUTORIDADE
POLICIAL PELA ADOÇÃO DESSAS MEDIDAS COM BASE, TAMBÉM, NAS
INFORMAÇÕES CONSTANTES NO RIF N. 38799.131.6490.7724. NECESSIDADE DE
IDENTIFICAÇÃO, PELO JUÍZO SINGULAR, EM UM PRIMEIRO MOMENTO, DA
REFERÊNCIA DESTE RELATÓRIO NA COMPOSIÇÃO DO DECISUM, ENSEJANDO,
CONSEQUENTEMENTE, O SEU DESENTRANHAMENTO.
1. Caso em que o Relatório de Inteligência Financeira (RIF n.
38799.131.6490.7724) foi produzido a partir de solicitação direta da
autoridade policial, sem prévia autorização judicial, o que está em
dissonância com a atual orientação jurisprudencial firmada pela
Terceira Seção desta Corte Superior, em recente julgamento proferido
no AgRg no REsp n. 2.150.571/SP, após ampla análise do acórdão
proferido no julgamento do RE n. 1.055.941/SP (Tema 990).
2. A requisição direta de informações sigilosas do COAF por
autoridade policial, sem prévia autorização judicial, viola o
direito à privacidade e à proteção de dados pessoais, garantidos
constitucionalmente.
3. É inviável o exame da legalidade da decisão que autorizou o
cabimento das medidas de interceptação telefônica e da quebra de
sigilo dos dados bancários, pois, tendo a representação formulada
pela autoridade policial se amparado, dentre outros elementos,
também nas informações insertas no RIF n. 38799.131.6490.7724, ao
Juízo de piso caberá, em um primeiro momento, identificar se a
referência desse relatório (RIF n. 38799.131.6490.7724) integrou e
compôs o contexto do r. decisum, ensejando, consequentemente, o seu
desentranhamento.
4. Recurso parcialmente provido nos termos do dispositivo.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.