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AgRg no REsp 202203098391 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2030024
- Registro
- 202203098391
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- CARLOS CINI MARCHIONATTI (DESEMBARGADOR CONVOCADO TJRS)
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-12
- Data de publicação
- DJEN DATA:20/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 12/08/2025
Ementa
DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO
QUALIFICADO. DOSIMETRIA DA PENA. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE
PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão que negou provimento
a recurso especial, mantendo acórdão que reduziu a pena da recorrida
para 12 anos de reclusão pela prática de homicídio qualificado pelo
motivo torpe e pela emboscada.
2. A acusada foi condenada à pena de 16 anos de reclusão, em regime
inicial fechado, pela prática do crime previsto no art. 121, § 2º, I
e IV, c/c o art. 29 do Código Penal, com pena-base fixada em 16
anos devido à valoração negativa dos vetores da personalidade e das
consequências do crime, além das qualificadoras do motivo torpe e da
emboscada.
3. O Tribunal de origem proveu a apelação da defesa para afastar a
avaliação negativa das circunstâncias judiciais e fixar a pena da
apelante em 12 anos de reclusão.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. A questão em discussão consiste em saber se a valoração negativa
das circunstâncias judiciais, especialmente a
personalidade/culpabilidade, os motivos e as consequências do crime,
foi adequada.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. Havendo duas ou mais qualificadoras, uma delas deverá ser
utilizada para formar o tipo qualificado e as demais poderão ser
consideradas como circunstâncias desfavoráveis, seja para agravar a
pena na segunda etapa da dosimetria, seja para elevar a pena-base na
primeira fase da dosimetria.
6. Conforme tese fixada no Tema repetitivo 1.318, a jurisprudência
do STJ permite a valoração negativa da culpabilidade pela
premeditação, desde que não constitua elementar do tipo penal, nem
seja pressuposto para a incidência de circunstância agravante ou
qualificadora.
7. A orfandade de filhos menores é considerada uma consequência
grave que justifica a valoração negativa das consequências do crime,
conforme entendimento pacífico desta Corte.
8. No caso concreto, o Tribunal a quo entendeu que a utilização da
qualificadora da emboscada para qualificar o crime inviabiliza a
avaliação negativa da culpabilidade pela premeditação, em razão da
ocorrência de bis in idem, de modo que a reversão dessa conclusão
demandaria revolvimento do arcabouço fático-probatório dos autos, o
que é inviável nesta instância superior.
IV. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO PARA REDIMENSIONAR A PENA DA
AGRAVADA PARA 14 ANOS DE RECLUSÃO, MANTIDO O REGIME INICIAL FECHADO.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.