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AgRg no RHC 202501769671 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 216334
- Registro
- 202501769671
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- SEBASTIÃO REIS JÚNIOR
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-13
- Data de publicação
- DJEN DATA:18/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 13/08/2025
Ementa
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS
CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS E LAVAGEM DE DINHEIRO. OPERAÇÃO SIDEWAYS.
PRISÃO TEMPORÁRIA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. IMPRESCINDIBILIDADE PARA AS
INVESTIGAÇÕES. INVESTIGAÇÃO DE DELITOS INSERIDOS NO ROL DO ART. 1º
DA LEI N. 7.960/1989. RAZÕES DE AUTORIA OU PARTICIPAÇÃO.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO.
1. A prisão temporária - disciplinada na Lei n. 7.960/1989 - pode
ser decretada a partir de representação da autoridade policial ou de
requerimento do Ministério Público, quando imprescindível para as
investigações do inquérito policial, não tiver o indiciado
residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao
esclarecimento de sua identidade, desde que existentes fundadas
razões de autoria ou participação quando se está diante de algum dos
delitos elencados no art. 1º, inciso III, da mesma Lei.
2. In casu, não há falar em falta de fundamentação do decreto de
prisão temporária, haja vista a indicação da necessidade da prisão
para o êxito das investigações e a investigação de delitos que se
inserem no rol do art. 1º, inciso III, da Lei n. 7.960/1989 (tráfico
de drogas e lavagem de dinheiro - crime contra o sistema
financeiro).
3. Verifica-se a existência de fundadas razões de autoria nos
delitos listados acima, pelo fato de o recorrente integrar
organização criminosa estruturada, hierarquizada e voltada à
comercialização interestadual de entorpecentes, com utilização de
empresas de fachada, interpostas pessoas e ocultação de valores,
sendo ele inclusive apontado como um dos principais operadores
financeiros da organização criminosa, tendo movimentado mais de R$
8,3 milhões entre 2019 e 2023 (fl. 103).
4. Não há como entender, como pretende a defesa, que o recorrente é
apenas "laranja" na organização criminosa, razão pela qual se
mostraria desnecessária a sua privação de liberdade. A uma, porque a
materialidade do delito não foi discutida na origem sob o enfoque
em questão - de ser o réu mero "laranja" -, razão pela qual sua
análise diretamente por esta Corte consistiria em indevida supressão
de instância. A duas, porque, para entender que o réu é mero
"laranja", seria imprescindível o reexame fático-probatório dos
autos, circunstância incabível na via eleita.
5. Agravo regimental improvido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.