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AgRg no RHC 202304397455 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 191011
- Registro
- 202304397455
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- ROGERIO SCHIETTI CRUZ
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-13
- Data de publicação
- DJEN DATA:19/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 13/08/2025
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. LAVAGEM DE DINHEIRO E
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. BUSCA DOMICILIAR. MEDIDA AUTORIZADA
JUDICIALMENTE. IMÓVEL CONSTANTE NO MANDADO E VINCULADO AO AGRAVANTE.
DESVIO DE FINALIDADE NÃO DEMONSTRADO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL DAS
FILHAS DO RECORRENTE. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DO ACERVO
FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. O art. 240, § 1º, do CPP estabelece que a busca domiciliar poderá
ser deferida pela autoridade judicial se houver fundadas razões a
autorizá-la. O Supremo Tribunal Federal já se "posicionou acerca da
legalidade da medida cautelar de busca e apreensão quando
imprescindíveis às investigações e condicionadas à existência de
elementos concretos que justifiquem sua necessidade e à autorização
judicial".
2. Da análise dos autos, depreende-se que juiz de primeira
instância, ao deferir a cautelar, justificou adequadamente os
requisitos legais necessários, nos termos do art. 240 do Código de
Processo Penal. Além disso, a medida de busca e apreensão foi
cumprida no endereço que efetivamente constava no mandado como
pertencente ao agravante, sem que houvesse equívoco. Embora o
recorrente alegue residir no exterior, tal fato não afasta
necessariamente a sua vinculação com o imóvel em questão.
3. A presença de documentos relacionados ao investigado, encontrados
no local durante a execução da medida, apenas reforça o seu vínculo
com o endereço, ainda que, naquele momento, haja sido informado aos
policiais que apenas as filhas dele residiam no imóvel. É evidente
que a legalidade de uma medida cautelar não pode ser justificada
apenas a posteriori, com base no resultado obtido, mas sim pela
fundamentação que a precedeu. No entanto, não se pode desconsiderar
que a descoberta de documentos que pertencem ao agravante,
aparentemente ligados aos fatos sob investigação, confirma a sua
vinculação com o imóvel e, por consequência, a pertinência da busca
e apreensão realizada no local.
4. Quanto à alegação de constrangimento sofrido pelas filhas do
recorrente durante o cumprimento do mandado, observa-se que os autos
não apresentam elementos suficientes para que tal questão seja
analisada na via estreita do habeas corpus e neste momento
processual inicial. Ainda que a defesa mencione a existência de ata
notarial, registro que esse documento apenas comprova a existência
da declaração das descendentes do paciente, não necessariamente a
veracidade de seu conteúdo. Por essa razão, o fato deve ser apurado
em cognição ampla perante as instâncias ordinárias na fase
instrutória.
5. Agravo regimental não provido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.