← Jurioteca
AREsp 202600126452 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 3149576
- Registro
- 202600126452
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- FRANCISCO FALCÃO
- Órgão julgador
- SEGUNDA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-03
- Data de publicação
- DJEN DATA:10/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 03/06/2026
Ementa
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PRETENSÃO DE
RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. DESCUMPRIMENTO DO PERCENTUAL MÍNIMO DE
APLICAÇÃO EM AÇÕES E SERVIÇOS PÚBLICOS DE SAÚDE. AUSÊNCIA DE
VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. MATÉRIA CONSTITUCIONAL.
PRECEDENTES. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO
ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
I - Na origem, o Ministério Público do Estado de Minas Gerais
ajuizou ação civil pública, em 2021, contra o Estado de Minas
Gerais, visando à devolução ao Fundo Estadual de Saúde de valores
não aplicados, no exercício de 2015, em ações e serviços públicos de
saúde, em razão do alegado descumprimento do percentual mínimo de
12%.
II - Na sentença, reconheceu-se a prescrição e julgou-se extinta a
ação com resolução de mérito. O Tribunal a quo manteve a sentença,
com aplicação dos Temas n. 897, 899 e 666, do Supremo Tribunal
Federal.
III - Não há violação ao art. 1.022, II, do CPC/2015 quando o
Tribunal de origem aprecia, de forma fundamentada, as questões
necessárias à solução da controvérsia, ainda que adote conclusão
jurídica diversa da pretendida pela parte. No caso, o acórdão
recorrido examinou expressamente as alegações do Ministério Público
acerca da suposta interrupção do prazo prescricional e da alegada
imprescritibilidade da pretensão, afastando-as mediante
fundamentação suficiente. Nesse sentido: STJ, REsp 1.666.265/MG,
Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/03/2018; STJ,
REsp 1.667.456/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA
TURMA, DJe de 18/12/2017; STJ, REsp 1.696.273/SP, Rel. Ministro
HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 19/12/2017.
IV - Para a solução da controvérsia, conforme bem assinalado na
decisão de inadmissibilidade do recurso especial, o Tribunal de
origem dirimiu a questão sob fundamento eminentemente
constitucional, mediante a aplicação das teses firmadas pelo Supremo
Tribunal Federal nos Temas n. 897 (RE n. 852.475/SP), n. 899 (RE n.
636.886/AL) e n. 666 (RE n. 669.069/MG).
V - Nessas condições, a pretensão recursal deduzida pelo MPE, ao
questionar os fundamentos adotados pelo Tribunal a quo, demanda
inevitável reexame de matéria constitucional já apreciada sob a
ótica dos precedentes vinculantes do STF, o que se revela
incompatível com a via estreita do recurso especial. Na mesma linha:
AgInt no REsp n. 1.752.162/RJ, relator Ministro Herman Benjamin,
Segunda Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 22/8/2024; REsp n.
1.726.930/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma,
julgado em 27/11/2018, DJe de 17/12/2018; AgInt no REsp n.
1.560.253/SC, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma,
julgado em 21/3/2017, DJe de 30/3/2017.
VI - Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e,
nessa extensão, negar-lhe provimento.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.