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REsp 202304184498 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2110672
- Registro
- 202304184498
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- HUMBERTO MARTINS
- Órgão julgador
- TERCEIRA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-08
- Data de publicação
- DJEN DATA:11/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 08/06/2026
Ementa
RECURSO ESPECIAL. CIVIL. CONSUMIDOR. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL
(LOTEAMENTO). RESCISÃO CONTRATUAL. DESISTÊNCIA DO ADQUIRENTE. LEI N.
13.786/2018 (LEI DO DISTRATO). CLÁUSULA PENAL. ABUSIVIDADE
RECONHECIDA NA ORIGEM. REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE RETENÇÃO PARA 25%
DOS VALORES PAGOS. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. TAXA DE FRUIÇÃO.
LOTE NÃO EDIFICADO. INDENIZAÇÃO INDEVIDA. AUSÊNCIA DE PROVEITO
ECONÔMICO. SÚMULA N. 83/STJ.
1. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça
orienta que é indevida a fixação de taxa de fruição ou ocupação no
desfazimento de promessa de compra e venda de lote de terreno não
edificado, uma vez que o terreno nu não gera rendimentos imediatos.
2. A aplicação das penalidades previstas no art. 32-A da Lei n.
6.766/1979 deve ser compatibilizada com o Código de Defesa do
Consumidor, permitindo-se a redução da cláusula penal quando esta
colocar o adquirente em desvantagem exagerada.
3. O Tribunal de origem, soberano na análise fático-probatória,
considerou abusiva a cláusula que acarretaria a perda total dos
valores pagos, fixando a retenção em 25% das quantias adimplidas,
patamar reputado razoável por esta Corte Superior.
4. A revisão do percentual de retenção e da abusividade da cláusula
contratual demandaria o reexame de fatos e provas, atraindo o óbice
da Súmula n. 7/STJ. 5. Incidência da Súmula n. 83/STJ ante a
harmonia entre o acórdão recorrido e a orientação firmada neste
Tribunal quanto à taxa de fruição.
Recurso especial não conhecido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.