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AgRg no REsp 202600668905 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2260345
- Registro
- 202600668905
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- RIBEIRO DANTAS
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-03
- Data de publicação
- DJEN DATA:10/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 03/06/2026
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO
ESPECIAL. FURTO SIMPLES. ARREPENDIMENTO POSTERIOR. VOLUNTARIEDADE DA
RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA. REVISÃO DO ACÓRDÃO. SÚMULA 7/STJ. REGIME
INICIAL FECHADO. MANUTENÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto pela defesa contra decisão
monocrática que conheceu de recurso especial e lhe negou provimento,
em condenação por crime patrimonial sem violência ou grave ameaça,
na qual se discute o reconhecimento do arrependimento posterior e a
fixação de regime inicial fechado, não obstante a pena definitiva
inferior a 4 anos.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) saber se, diante de
restituição do bem somente após abordagem por funcionários do
estabelecimento vítima, estaria configurado o arrependimento
posterior previsto no art. 16 do Código Penal, especialmente quanto
ao requisito da voluntariedade; e (ii) saber se é possível a fixação
de regime inicial mais brando (semiaberto) para cumprimento da pena
privativa de liberdade inferior a 4 anos, em favor de réu
reincidente e com circunstância judicial negativa (maus
antecedentes), à luz do art. 33 do Código Penal e da Súmula 269/STJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Ainda que presentes os demais requisitos objetivos do art. 16 do
Código Penal, a ausência de voluntariedade na reparação ou
restituição, como no caso, impede o reconhecimento da causa de
diminuição da pena, cuja incidência exige ato genuinamente reparador
e voluntário do agente antes do recebimento da denúncia.
4. Modificar a conclusão do acórdão recorrido quanto à
voluntariedade da restituição demandaria reexame do conjunto
fático-probatório, providência vedada na via do recurso especial,
nos termos da Súmula 7/STJ.
5. O regime inicial fechado foi fixado com fundamento na
reincidência e em circunstância judicial negativa (maus
antecedentes), em consonância com os arts. 33 e 59 do Código Penal.
IV. DISPOSITIVO E TESE
6. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. O reconhecimento do arrependimento posterior (CP, art. 16) exige
que a reparação do dano ou a restituição da coisa ocorra, até o
recebimento da denúncia, mediante ato voluntário do agente, não
configurado quando a recuperação do bem decorre de abordagem ou
iniciativa de terceiros.
2. A aferição, pelo Tribunal de origem, da ausência de
voluntariedade na restituição da res furtiva constitui matéria
fático-probatória, insuscetível de reexame em recurso especial, em
razão da Súmula 7/STJ.
3. É legítima a fixação de regime inicial fechado ao réu condenado a
pena inferior a 4 anos quando presentes reincidência e
circunstâncias judiciais desfavoráveis, hipótese em que não se
aplica o enunciado da Súmula 269/STJ.
Dispositivos relevantes citados:
CP, art. 16; CP, art. 33, §§ 2º e 3º; CP, art. 59; Súmula 7/STJ;
Súmula 269/STJ.
Jurisprudência relevante citada:
STJ, AgRg no AREsp n. 2.359.464/DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik,
Quinta Turma, j. 14.5.2024, DJe 20.5.2024; STJ, AgRg no REsp n.
2.002.554/SC, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, j.
8.8.2023, DJe 16.8.2023; STJ, AgRg no AREsp n. 2.156.174/SP, Rel.
Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, j. 3.3.2026, DJEN
11.3.2026; STJ, AgRg no HC n. 1.049.488/SP, Rel. Min. Og Fernandes,
Sexta Turma, j. 4.3.2026, DJEN 10.3.2026; STF, RvC 5.475/AM, Rel.
Min. Edson Fachin, j. 6.11.2019.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.