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AgRg no HC 202600824082 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1078704
- Registro
- 202600824082
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- RIBEIRO DANTAS
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-05-27
- Data de publicação
- DJEN DATA:02/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 27/05/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS.
TRÁFICO DE DROGAS. REVISÃO CRIMINAL. COISA JULGADA. VIOLAÇÃO DE
DOMICÍLIO. PROVA ILÍCITA. ALTERAÇÃO JURISPRUDENCIAL. DOSIMETRIA DA
PENA. AGRAVO IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de
habeas corpus impetrado em favor de condenado por tráfico de drogas,
no qual se alegava nulidade da condenação por ilicitude das provas
decorrentes de violação de domicílio e ilegalidade na fixação da
pena-base.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A questão em discussão consiste em saber se, após o trânsito em
julgado da condenação, é possível, pela via do habeas corpus,
afastar decisão que não conheceu de revisão criminal manejada para
rediscutir teses já apreciadas e para invocar alteração
jurisprudencial posterior, sem apresentação de provas novas, a
pretexto de nulidade por violação de domicílio e de necessidade de
readequação da pena-base.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A revisão criminal, disciplinada no art. 621 do CPP, não se
presta a funcionar como segunda apelação, sendo cabível apenas nas
hipóteses taxativas ali previstas, e não como via para mero reexame
de fatos, provas ou teses já debatidas e rejeitadas na sentença e na
apelação.
4. O art. 622, parágrafo único, do CPP veda a reiteração de pedido
revisional desacompanhado de provas novas, de modo que a rediscussão
de matérias já apreciadas, sem inovação probatória, impede o
conhecimento da revisão criminal e não configura constrangimento
ilegal sanável por habeas corpus.
5. A mudança de entendimento jurisprudencial posterior ao trânsito
em julgado da condenação, ainda que potencialmente mais benéfica ao
condenado, não constitui fundamento legítimo para o ajuizamento de
revisão criminal, em respeito à coisa julgada e ao princípio da
segurança jurídica.
6. O Tribunal de origem reconheceu justa causa para o ingresso
policial no domicílio, pois houve abordagem de usuários portando
drogas após saírem da residência, com indicação do condenado como
fornecedor, bem como autorização de entrada concedida por moradora
proprietária do imóvel, inexistindo flagrante ilegalidade na
valoração da legalidade da prova.
7. A elevação da pena-base em 10 meses acima do mínimo legal foi
devidamente fundamentada na quantidade, natureza e variedade dos
entorpecentes apreendidos, à luz do art. 42 da Lei n. 11.343/2006, e
na análise das circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal,
não havendo desproporcionalidade ou erro evidente aptos a
justificar intervenção excepcional na via estreita do habeas corpus.
8. Não há flagrante ilegalidade na decisão que não conheceu da
revisão criminal, tampouco na decisão que não conheceu do habeas
corpus, porquanto o agravo regimental limita-se a reiterar teses já
examinadas, sem trazer elementos novos capazes de infirmar a decisão
agravada.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. A revisão criminal não pode ser utilizada como segunda apelação
nem para mera rediscussão de teses e provas já apreciadas, exigindo
enquadramento nas hipóteses do art. 621 do CPP e, em caso de
reiteração, a apresentação de provas novas, nos termos do art. 622,
parágrafo único, do CPP.
2. A alteração jurisprudencial posterior ao trânsito em julgado da
condenação, ainda que mais favorável ao condenado, não autoriza o
ajuizamento de revisão criminal, em respeito à coisa julgada e à
segurança jurídica.
3. A inexistência de flagrante ilegalidade na decisão que afasta a
nulidade por violação de domicílio, reconhecendo justa causa para o
ingresso policial e autorização de moradora, bem como na
fundamentação da pena-base, impede a concessão de habeas corpus,
ainda que de ofício, após o trânsito em julgado.
Dispositivos relevantes citados:
CPP, art. 3º; CPP, art. 621; CPP, art. 622, parágrafo único;
CPC/2015, art. 932, III; CP, art. 59; Lei n. 11.343/2006, art. 42
Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 206.847/SP, Rel. Min. Nefi
Cordeiro, Sexta Turma, j. 16.02.2016, DJe 25.02.2016; STJ, AgRg no
HC 952.349/SP, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, j.
27.11.2024, DJe 05/12/2024; STJ, AgRg no HC 731.283/SE, Rel. Des.
Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Quinta Turma, j.
02.08.2022, DJe 09.08.2022; STJ, AgRg no HC 706.140/SP, Rel. Min.
João Otávio de Noronha, Quinta Turma, j. 29.03.2022, DJe 06.04.2022;
STJ, AgRg no HC 889.851/MT, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta
Turma, j. 15.04.2024, DJe 19.04.2024; STJ, AgRg nos EDcl no RHC
179.116/PB, Rel. Des. Conv. Jesuíno Rissato (TJDFT), Sexta Turma, j.
16.10.2023, DJe 19/10/2023.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.