← Jurioteca
EDcl no AREsp 202402151522 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2667830
- Registro
- 202402151522
- Classe
- EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
- Órgão julgador
- QUARTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-01
- Data de publicação
- DJEN DATA:08/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 01/06/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos a acórdão que conheceu do agravo
em recurso especial para conhecer em parte do recurso especial e
negar-lhe provimento, em razão da ausência de violação dos arts.
489, § 1º, VI, e 1.022, II, do CPC, da incidência da Súmula n. 7 do
STJ quanto à tese de coisa julgada e do prejuízo da análise do
dissídio jurisprudencial.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há seis questões em discussão: (i) saber se há omissão quanto à
demonstração concreta da incidência da Súmula n. 7 do STJ, por não
indicar premissas fáticas e elementos probatórios que exigiriam
reexame; (ii) saber se há contradição interna porque se afirmou
suficiência da fundamentação sobre a adequação da exceção de
pré-executividade e, ao mesmo tempo, necessidade de reexame
fático-probatório; (iii) saber se há contradição porque a incidência
da Súmula n. 7 do STJ teria inviabilizado a análise de teses
jurídicas, em incoerência com o afastamento de violação dos arts.
489 e 1.022 do CPC; (iv) saber se há omissão quanto à distinção
entre reexame de prova e requalificação jurídica; (v) saber se é
cabível a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC; e (vi) saber se é
cabível a majoração dos honorários recursais.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade,
eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material
existentes no julgado.
4. Não há omissão quanto à incidência da Súmula n. 7 do STJ, pois
ficou delimitado que a revisão pretendida exigiria reexame dos
limites objetivos do título e do conjunto fático-probatório da
execução, providência vedada na via especial.
5. Inexiste contradição, porque o acórdão tratou temas distintos: a
suficiência da fundamentação e, separadamente, a impossibilidade de
revolvimento fático quanto à coisa julgada.
6. Não se verifica contradição entre a aplicação da Súmula n. 7 do
STJ e o afastamento de violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC, pois
há compatibilidade lógica entre a fundamentação suficiente e o óbice
ao reexame probatório da tese de coisa julgada.
7. Não procede a alegação de omissão sobre a distinção entre reexame
de prova e requalificação jurídica, já que a controvérsia demanda
cotejo de títulos e fatos da execução.
8. É incabível a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC, ausente intuito
protelatório, conforme precedente EDcl no AgInt nos EAREsp n.
2.157.279/RS.
9. É inviável a majoração dos honorários recursais no julgamento de
embargos de declaração, porque não há inauguração de instância e o
recurso não ultrapassou a fase de conhecimento, conforme EDcl no
AgInt no AREsp n. 437.263/MS e AgInt no AREsp n. 1.223.865/SP.
IV. DISPOSITIVO E TESE
10. Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento: "1. Não há omissão quando a decisão explicita
que a revisão pretendida demanda reexame dos limites do título e do
conjunto fático-probatório. 2. Não há contradição ao reconhecer
fundamentação suficiente sobre a adequação da exceção de
pré-executividade e, em separado, vedar o revolvimento fático da
tese de coisa julgada. 3. Não se configura contradição entre o
afastamento de violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC e a conclusão
sobre a impossibilidade de revisar matéria fático-probatória. 4.
Inexiste omissão quanto à distinção entre reexame de prova e
requalificação jurídica quando a controvérsia exige cotejo de
títulos e fatos da execução. 5. Não cabe multa do art. 1.026, § 2º,
do CPC sem demonstração de intuito protelatório. 6. Não cabe
majoração de honorários recursais no julgamento de embargos de
declaração que não inauguram instância".
Dispositivos relevantes citados: CF, art. 105, III, c; CPC, arts.
85, §§ 2º e 11, 489, § 1º, VI, 502, 503, § 1º, II, 1.022, parágrafo
único, II, e 1.026, § 2º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula n. 7; STJ, AgRg no
AREsp n. 16879/SP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma,
julgado em 27/4/2012; STJ, AgInt no AREsp n. 1.898.375/RS, relator
Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em
30/6/2022; STJ, AgInt no AREsp n. 1.611.756/GO, relator Ministro
Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 1/9/2022; STJ, EDcl no AgInt
nos EAREsp n. 2.157.279/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze,
Segunda Seção, julgados em 14/11/2023; STJ, EDcl no AgInt no AREsp
n. 437.263/MS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta
Turma, julgados em 3/4/2018; STJ, AgInt no AREsp n. 1.223.865/SP,
relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em
22/3/2018.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.