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AgRg no HC 202503898191 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1041900
- Registro
- 202503898191
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- RIBEIRO DANTAS
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-03
- Data de publicação
- DJEN DATA:10/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 03/06/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. HABEAS
CORPUS SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA DA REPRESENTAÇÃO. DILIGÊNCIAS
INVESTIGATIVAS ALEGADAMENTE EXPLORATÓRIAS. TRANCAMENTO DE INQUÉRITO
POLICIAL. RECURSO IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não
conheceu de habeas corpus substitutivo de recurso próprio e afastou
a existência de flagrante ilegalidade, em investigação relativa a
suposta fraude à execução.
2. O agravante sustenta a decadência do direito de representação, a
ilicitude das diligências investigativas e a ausência de justa causa
para a persecução penal.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. Há quatro questões em discussão: (i) saber se há contradição
entre o não conhecimento do habeas corpus e pronunciamento proferido
em recurso ordinário em habeas corpus conexo; (ii) saber se houve
decadência do direito de representação em razão de suposto
conhecimento pretérito da autoria e do caráter penal dos fatos
investigados; (iii) saber se as diligências investigativas são
ilícitas, por configurarem fishing expedition e por envolverem
requisição de dados fiscais sem autorização judicial; e (iv) saber
se há ausência de justa causa que autorize o trancamento do
inquérito policial na via estreita do habeas corpus.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. Inexistência de contradição: distinguem-se os níveis de controle
jurisdicional exercidos, tendo o recurso ordinário não sido
conhecido por óbice processual, enquanto no habeas corpus houve
exame limitado para aferir ilegalidade manifesta; não há inovação
recursal relevante nem impugnação específica ao fundamento de
supressão de instância.
5. Decadência: o termo inicial do prazo decadencial, em ação penal
pública condicionada à representação, exige a efetiva ciência da
autoria e do caráter ilícito-penal da conduta; investigações em fase
inicial, sem identificação dos autores, impedem a fixação do marco
inicial; a via do habeas corpus não comporta reavaliação
fático-probatória sobre o momento de conhecimento pelo ofendido.
6. Diligências investigativas: a análise de regularidade das
medidas, inclusive quanto à requisição de dados fiscais e à alegada
condução exploratória, demanda incursão aprofundada no conjunto
fático-probatório e prévia submissão ao juízo de origem; ausência de
impugnação específica ao fundamento de supressão de instância
impede o conhecimento da matéria.
7. Justa causa: o trancamento do inquérito é medida excepcional,
somente cabível quando evidenciada, de plano, atipicidade da
conduta, causa extintiva da punibilidade ou ausência absoluta de
indícios de autoria e materialidade; alegações baseadas em elementos
da esfera cível não são incontroversas e dependem de reconstrução
fática, o que é incompatível com a via eleita.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. O controle em habeas corpus é limitado à verificação de
ilegalidade manifesta, sendo inviável exame aprofundado de matéria
fático-probatória ou não submetida ao juízo de origem.
2. O termo inicial do prazo decadencial, nos crimes de ação penal
pública condicionada à representação, exige a demonstração de
efetiva ciência da autoria e da natureza ilícito-penal da conduta.
3. O trancamento do inquérito policial por habeas corpus é medida
excepcional, cabível apenas diante de atipicidade evidente, causa
extintiva da punibilidade ou ausência absoluta de indícios de
autoria e materialidade.
4. A ausência de impugnação específica a fundamento autônomo
(supressão de instância) impede o conhecimento da matéria no agravo
regimental.
Dispositivos relevantes citados: Sem dispositivos relevantes
citados.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC n. 1.059.444/SP,
Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 24/3/2026;
STJ, AgRg no HC n. 869.374/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta
Turma, DJe de 7/3/2024.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.