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AgRg no HC 202600834650 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1078958
- Registro
- 202600834650
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- MESSOD AZULAY NETO
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-03
- Data de publicação
- DJEN DATA:10/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 03/06/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS.
RECONHECIMENTO PESSOAL E FOTOGRÁFICO. ART. 226 DO CPP. PROVA
CORROBORADA EM JUÍZO. ROUBO TENTADO. AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não
conheceu de habeas corpus impetrado em favor de condenado à pena de
1 ano e 4 meses de reclusão, em regime aberto, pela prática do crime
de roubo tentado.
2. Fato relevante. A defesa sustenta nulidade do reconhecimento
pessoal por afronta ao art. 226 do Código de Processo Penal e afirma
que a condenação estaria fundada exclusivamente em tal
reconhecimento, sem outros elementos probatórios autônomos que
vinculem o agravante ao delito.
3. Decisão anterior. A decisão agravada não conheceu do habeas
corpus ao fundamento de que a autoria delitiva foi firmada com base
no reconhecimento da vítima, ratificado em juízo, e nos depoimentos
dos policiais militares, o que impediria a desconstituição da
condenação na via estreita eleita.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há duas questões em discussão: (i) saber se o reconhecimento
fotográfico e pessoal realizado em desacordo com o art. 226 do
Código de Processo Penal acarreta nulidade da condenação quando
existirem outros elementos probatórios produzidos em juízo, sob
contraditório, aptos a corroborar a autoria; e (ii) saber se, em
sede de agravo regimental em habeas corpus, é possível o reexame do
conjunto fático-probatório para afastar a conclusão das instâncias
ordinárias quanto à suficiência da prova da autoria.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. As instâncias ordinárias reconheceram que a autoria ficou
comprovada pelo reconhecimento seguro realizado pela vítima,
reiterado em sede policial e em audiência de instrução, bem como
pelos depoimentos convergentes dos policiais militares.
6. Em crimes cometidos na clandestinidade, a palavra da vítima
assume especial relevo como meio de prova, sobretudo quando coerente
e harmônica com os demais elementos colhidos, circunstância
presente no caso concreto.
7. A pretensão de desconstituir a conclusão das instâncias
ordinárias quanto à suficiência da prova da autoria demandaria
reexame aprofundado do acervo fático-probatório, providência
incompatível com a via estreita do habeas corpus e, por
consequência, com o agravo regimental interposto contra a decisão
que dele não conheceu.
IV. DISPOSITIVO
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.