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AgRg no AREsp 202601242040 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 3220436
- Registro
- 202601242040
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- RIBEIRO DANTAS
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-09
- Data de publicação
- DJEN DATA:15/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 09/06/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL.
PALAVRA DA VÍTIMA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO VEDADO. SÚMULA 7/STJ.
AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que
conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, em ação
penal por estupro de vulnerável, no qual o Tribunal de origem
manteve a condenação com fundamento no depoimento da vítima,
prestado sob contraditório, corroborado por elementos probatórios
colhidos nas instâncias ordinárias, inclusive documentos do Conselho
Tutelar e laudo pericial que apontou hímen complacente.
2. A parte agravante sustenta ausência de reexame probatório,
pretendendo revaloração jurídica das premissas fixadas, afirma
insuficiência da palavra da vítima desacompanhada de corroboração
externa direta, aponta inconsistências sobre suposto teste de
gravidez e ausência de vestígios periciais, e requer o provimento do
agravo regimental.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. Há três questões em discussão: (i) saber se a insurgência demanda
o reexame do conjunto fático-probatório, hipótese vedada na via
especial pela Súmula 7/STJ; (ii) saber se, em delitos contra a
liberdade sexual, a palavra da vítima, quando firme, coerente e
corroborada por outros elementos, pode ser suficiente para sustentar
a condenação; e (iii) saber se a inexistência de vestígios
periciais, inclusive integridade himenal em razão de hímen
complacente e lapso temporal, afasta a materialidade e autoria
reconhecidas pelas instâncias ordinárias.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. O acórdão estadual fixou premissas fáticas quanto à coerência do
relato da vítima, sua corroboração por elementos probatórios e a
conclusão pericial sobre hímen complacente; a revisão dessas
premissas exigiria revolvimento do acervo probatório, providência
inviável em recurso especial, nos termos da Súmula 7/STJ.
5. Em delitos contra a liberdade sexual, por frequentemente não
deixarem vestígios, a palavra da vítima possui valor probante
diferenciado e, quando firme, coerente e corroborada por outros
elementos, pode sustentar a condenação, conforme avaliação das
instâncias ordinárias.
6. A ausência de ruptura himenal e de vestígios não afasta a
ocorrência do crime, sobretudo diante de hímen complacente e do
lapso temporal entre os fatos e o exame, circunstâncias explicitadas
nas instâncias ordinárias.
7. Mantida a conclusão quanto ao dolo do agente e à suficiência das
provas de autoria e materialidade relativas à conjunção carnal e a
atos libidinosos diversos com pessoa vulnerável, não havendo motivo
para reforma do julgado.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. É inviável, em recurso especial, o reexame do conjunto
fático-probatório, nos termos da Súmula 7/STJ.
2. Em crimes contra a liberdade sexual, a palavra da vítima, quando
firme, coerente e corroborada por outros elementos, pode sustentar a
condenação.
3. A inexistência de vestígios periciais, inclusive integridade
himenal por hímen complacente e decurso temporal, não afasta a
materialidade e autoria reconhecidas pelas instâncias ordinárias.
Dispositivos relevantes citados:
Não há dispositivos legais explicitamente citados.
Jurisprudência relevante citada:STJ, Súmula 7.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.