← Jurioteca
AgRg nos EDcl no HC 202601429879 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1089154
- Registro
- 202601429879
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- REYNALDO SOARES DA FONSECA
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-03
- Data de publicação
- DJEN DATA:15/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 03/06/2026
Ementa
PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
NO HABEAS CORPUS. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL. ACESSO A ELEMENTOS
INFORMATIVOS. PRETENSÃO DE OBTENÇÃO DE DADOS BRUTOS E FONTE PRIMÁRIA
DE RELATÓRIOS DE INTELIGÊNCIA FINANCEIRA. SÚMULA VINCULANTE N. 14
DO STF. DISTINÇÃO ENTRE ELEMENTOS JÁ DOCUMENTADOS E BASES ANALÍTICAS
EM ESTADO BRUTO. INVESTIGAÇÃO EM CURSO. NECESSIDADE DE DILAÇÃO
PROBATÓRIA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE
ILEGALIDADE. ART. 654, § 2º, DO CPP. NÃO CABIMENTO. AGRAVO
REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
1. A garantia da Súmula Vinculante n. 14 assegura ao defensor acesso
aos elementos de prova já documentados relacionados ao exercício do
direito de defesa, não impondo disponibilização irrestrita de
bancos de dados, sistemas analíticos ou bases informacionais em
estado bruto, especialmente quando vinculados a atividades de
inteligência financeira e a investigação em curso.
2. Os elementos de prova que embasaram a decisão cautelar
(relatórios de inteligência financeira e documentos correlatos)
estão disponibilizados nos autos do procedimento investigatório,
inexistindo negativa absoluta de acesso a provas já documentadas, o
que afasta a aplicação da Súmula Vinculante n. 14 para alcançar a
fonte primária em estado bruto.
3. A invocação da teoria dos motivos determinantes pressupõe cotejo
entre a decisão cautelar, o conteúdo integral dos relatórios
técnicos e os dados subjacentes, providência incompatível com o rito
do habeas corpus.
4. A investigação permanece em curso e o acesso indiscriminado à
fonte primária poderia expor dados sigilosos de terceiros,
resguardados por direitos da personalidade, sendo admissíveis
restrições temporárias ao acesso a diligências sigilosas desde que
não inviabilizem a defesa após a conclusão das diligências.
5 A concessão ex officio com base no art. 654, § 2º, do CPP exige
demonstração de ilegalidade flagrante por prova pré-constituída, o
que não se verifica quando os documentos que embasaram a medida
cautelar estão disponíveis nos autos do inquérito.
6.Agravo regimental a que se nega provimento.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.