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AgRg no AREsp 202600873965 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 3197788
- Registro
- 202600873965
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- RIBEIRO DANTAS
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-09
- Data de publicação
- DJEN DATA:15/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 09/06/2026
Ementa
DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PALAVRA DA
VÍTIMA. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE VIOLÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO
IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. O recurso. Agravo regimental contra decisão monocrática que não
conheceu recurso especial.
2. Fato relevante. Recorrente, com 23 anos, manteve conjunção carnal
com ofendida de 13 anos, durante relacionamento de namoro; defesa
sustenta erro de tipo quanto à idade da vítima e insuficiência
probatória para condenação, requerendo absolvição com fundamento no
art. 386, V, VI ou VII, do CPP, ou, subsidiariamente, o afastamento
da indenização mínima por danos morais.
3. As decisões anteriores. Acórdão de origem concluiu pela
materialidade e autoria com base em depoimentos, laudo pericial e
palavra da vítima; decisão monocrática no STJ deixou de conhecer o
recurso especial em razão da necessidade de reexame do conjunto
fático-probatório (Súmula 7/STJ).
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. A questão em discussão consiste em saber se a pretensão
absolutória por estupro de vulnerável demanda reexame de fatos e
provas, atraindo o óbice da Súmula 7/STJ.
5. A questão em discussão consiste em saber se a palavra da vítima,
quando firme e coerente e corroborada por outros elementos, é
suficiente para demonstrar materialidade e autoria em crimes
sexuais.
6. A questão em discussão consiste em saber se o consentimento da
vítima menor de 14 anos, sua experiência sexual anterior ou o
relacionamento amoroso com o agente afastam a tipicidade do crime
previsto no art. 217-A do Código Penal.
7. A questão em discussão consiste em saber se há erro de tipo
escusável quanto à idade da vítima apto a afastar o dolo na conduta
imputada.
III. RAZÕES DE DECIDIR
8. O agravo regimental não demonstra inaplicabilidade da Súmula
7/STJ, pois a inversão do julgado para absolvição exigiria o reexame
do conjunto fático-probatório, vedado na via especial.
9. Nos delitos contra a liberdade sexual, a palavra da vítima possui
valor probante diferenciado, especialmente quando firme e coerente
e corroborada por outros elementos dos autos, sendo suficiente para
comprovar materialidade e autoria.
10. Para a caracterização do crime de estupro de vulnerável (art.
217-A do CP), basta a conjunção carnal ou a prática de ato
libidinoso com menor de 14 anos; o consentimento da vítima, sua
experiência sexual anterior ou o relacionamento amoroso com o agente
são juridicamente irrelevantes (Súmula 593/STJ; tese firmada em
recurso repetitivo).
11. A tese defensiva de erro de tipo quanto à idade não se sustenta
diante das premissas fáticas fixadas pelo Tribunal de origem, que
evidenciam a consciência do agente sobre a ilicitude da conduta;
eventual revisão demandaria revolvimento de provas, obstado pela
Súmula 7/STJ.
12. Mantêm-se os fundamentos da decisão agravada que não conheceu o
recurso especial, ante a conformidade do acórdão recorrido com a
jurisprudência consolidada do STJ sobre a matéria.
IV. DISPOSITIVO E TESE
13. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. É inviável, em recurso especial, reexaminar fatos e provas para
afastar condenação por estupro de vulnerável, incidindo a Súmula
7/STJ. 2. A palavra da vítima, firme e coerente e corroborada por
outros elementos, possui especial relevo para comprovar
materialidade e autoria em crimes sexuais. 3. O consentimento da
vítima menor de 14 anos, sua experiência sexual anterior ou o
relacionamento amoroso com o agente não afastam a tipicidade do
crime do art. 217-A do Código Penal. Dispositivos relevantes
citados:
CP, art. 217-A; CPP, art. 386, V, VI e VII; Súmula 7/STJ; Súmula
593/STJ
Jurisprudência relevante citada:STJ, REsp 1.480.881/PI, Terceira
Seção, julgado em 26.08.2015; STJ, HC 537.233/SP, Quinta Turma, DJe
02.12.2019; STJ, AgRg no AREsp 1.784.535/AM, Sexta Turma, DJe
18.06.2021; STJ, AgRg no AREsp 2.034.538/MA, Sexta Turma, DJe
13.05.2022; STJ, AgRg no AREsp 1.293.123/PR, Quinta Turma, DJe
30.05.2019
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.