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REsp 202502916620 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2226671
- Registro
- 202502916620
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- GURGEL DE FARIA
- Órgão julgador
- PRIMEIRA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-09
- Data de publicação
- DJEN DATA:17/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 09/06/2026
Ementa
TRIBUTÁRIO. ICMS. DIFERENCIAL DE ALÍQUOTAS - DIFAL. FORNECIMENTO DE
ALIMENTOS E BEBIDAS. ESTABELECIMENTO HOTELEIRO. ART. 12, II, DA LEI
COMPLEMENTAR N. 87/1996. OPERAÇÃO INTERNA. COBRANÇA.
IMPOSSIBILIDADE.
1. Na ação ordinária da qual se origina o recurso especial em exame,
o contribuinte - estabelecimento hoteleiro situado no Estado do
Paraná - pretende seja reconhecida a inexistência de relação
jurídico-tributária quanto ao Diferencial de Alíquotas do ICMS
(DIFAL) e ao adicional para o Fundo de Combate à Pobreza exigidos
pelo Distrito Federal em razão do fornecimento de alimentação e de
bebidas para consumo de hóspedes nas dependências do hotel, nas
hipóteses em que as notas fiscais são emitidas em nome de pessoas
jurídicas estabelecidas no Distrito Federal.
2. Os arts. 11, I e V, o 11, § 7º, e 12, I, da Lei Complementar n.
87/1996, bem como o art. 1.267 do Código Civil, não foram objeto de
análise pelo acórdão recorrido, revelando a ausência de
prequestionamento.
3. O art. 12, II, da Lei Complementar n. 87/1996, prevê que se
considera ocorrido o fato gerador do ICMS no momento do fornecimento
de alimentação e bebidas por qualquer estabelecimento.
4. Embora o dispositivo se refira ao momento de ocorrência do fato
gerador, no caso em análise, há notória imbricação entre o critério
temporal da hipótese de incidência, estabelecido explicitamente pelo
art. 12, II, da Lei Kandir, e o seu critério espacial. Isso porque,
no momento da ocorrência do fato gerador (fornecimento), os
destinatários/consumidores (pessoas físicas) das mercadorias
(bebidas e alimentos) encontram-se no próprio local em que se dá o
fornecimento, como hóspedes.
5. Ausência do pressuposto fático para a cobrança do DIFAL: a
operação interestadual, consubstanciada na saída da mercadoria do
limite territorial de uma Unidade Federada com destino a consumidor
final localizado em outra Unidade Federada.
6. Sendo incontroverso que as mercadorias foram entregues no local
do estabelecimento fornecedor, a circunstância de que as notas
fiscais foram emitidas em nome de pessoa jurídica sediada no
Distrito Federal não é suficiente para caracterizar a operação como
interestadual.
7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão,
provido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.