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AgRg no HC 202503349028 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1032321
- Registro
- 202503349028
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- RIBEIRO DANTAS
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-15
- Data de publicação
- DJEN DATA:19/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 15/06/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS.
COMPETÊNCIA TERRITORIAL EM CRIME PERMANENTE PLURILOCAL. PREVENÇÃO.
PRISÃO PREVENTIVA FUNDAMENTADA NA GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E NO
MODUS OPERANDI. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS. INSUFICIÊNCIA. VIA
ESTREITA DO HABEAS CORPUS. RECURSO IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não
conheceu de habeas corpus em que se alegavam incompetência
territorial, ausência de fundamentação concreta da prisão
preventiva, possibilidade de substituição da custódia por medidas
cautelares diversas e inadequação da imputação do crime de roubo.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há quatro questões em discussão: (i) definir a competência
territorial em hipótese de crime permanente praticado em mais de uma
jurisdição; (ii) verificar a presença de fundamentação concreta
para a manutenção da prisão preventiva; (iii) examinar a suficiência
das medidas cautelares diversas da prisão; e (iv) analisar a
possibilidade de afastamento da imputação do crime de roubo ou de
desclassificação da conduta na via do habeas corpus.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Nos termos dos arts. 71 e 83 do Código de Processo Penal,
tratando-se de delito permanente praticado em mais de uma
jurisdição, a competência territorial firma-se pela prevenção.
4. Evidenciado que a privação da liberdade da vítima se prolongou
por mais de uma comarca e que o Juízo de Araraquara foi o primeiro a
atuar validamente na persecução penal, mostra-se legítima a fixação
da competência naquele juízo.
5. A incompetência territorial possui natureza relativa e exige
demonstração de prejuízo concreto para o reconhecimento de nulidade,
em observância ao princípio pas de nullité sans grief.
6. A prisão preventiva mostra-se adequadamente fundamentada em
elementos concretos extraídos das circunstâncias do caso,
notadamente o planejamento da empreitada criminosa, o concurso de
agentes, a restrição da liberdade das vítimas e a gravidade concreta
da conduta.
7. As instâncias ordinárias concluíram pela insuficiência das
medidas cautelares diversas da prisão para neutralizar os riscos
processuais identificados no caso concreto.
8. O habeas corpus não constitui via adequada para rediscussão da
tipificação penal quando a pretensão demanda reavaliação aprofundada
do conjunto fático-probatório.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. Nos crimes permanentes praticados em mais de uma jurisdição, a
competência territorial firma-se pela prevenção, nos termos dos
arts. 71 e 83 do CPP. 2. A incompetência territorial, por possuir
natureza relativa, exige demonstração de prejuízo concreto para o
reconhecimento de nulidade. 3. A prisão preventiva mostra-se
legítima quando fundamentada em elementos concretos relacionados ao
modus operandi, ao concurso de agentes e à gravidade concreta da
conduta. 4. A substituição da prisão preventiva por medidas
cautelares diversas, inclusive internação provisória, requer
demonstração de suficiência para neutralizar os riscos processuais,
o que afasta a cautela extrema apenas quando evidenciado nos autos.
5. O habeas corpus não se presta ao revolvimento fático-probatório
nem à redefinição da tipificação penal quando dependentes de juízo
valorativo sobre a prova. Dispositivos relevantes citados: CPP,
arts. 70, 71 e 83; CPP, arts. 312 e 315, § 2º; CPP, arts. 282, § 6º,
e 319.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no RHC n. 122.952/PR,
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de
27/5/2020; STJ, CC n. 121.600/GO, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, Terceira Seção, DJe de 1/7/2015; STJ, HC n. 585.241/MG,
Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 28/10/2020;
STJ, RHC n. 98.086/MG, Rel. Min. Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de
10/8/2018; STJ, HC n. 1.021.432/MG, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, Sexta Turma, DJEN de 16/12/2025; STJ, AgRg no HC n.
931.744/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN
de 18/2/2025; STJ, HC n. 413.150/MS, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
Quinta Turma, DJe de 28/11/2017.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.