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AgRg no HC 202600506971 — STJ

Tribunal
STJ
Processo
1073501
Registro
202600506971
Classe
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
Relator(a)
RIBEIRO DANTAS
Órgão julgador
QUINTA TURMA
Data da decisão
2026-06-17
Data de publicação
DJEN DATA:22/06/2026
Tipo
ACÓRDÃO

Julgado em 17/06/2026

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. SÚMULA 691/STF. DECISÃO MONOCRÁTICA DE RELATOR. NÃO CONHECIMENTO. RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DO LUGAR DA INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA RELATIVA. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, por incidir a Súmula 691/STF. 2. Fato relevante. O writ foi direcionado contra decisão singular de Relator do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que indeferiu pedido incidental de reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva, alegando-se ilegalidade manifesta e nulidade do recebimento da denúncia por Juízo Federal vinculado a Tribunal Regional diverso. 3. As decisões anteriores. A decisão agravada não conheceu do habeas corpus por ausência de prévio agravo interno contra a decisão singular e inexistência de flagrante ilegalidade apta a superar a Súmula 691/STF. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. Há duas questões em discussão: (i) saber se é possível superar a Súmula 691/STF para conhecer de habeas corpus contra decisão monocrática de relator sem o prévio esgotamento da instância ordinária, à vista de suposta ilegalidade manifesta; e (ii) saber se o recebimento da denúncia por juízo territorialmente incompetente, vinculado a Tribunal Regional diverso daquele posteriormente reconhecido como competente, deixa de operar como marco interruptivo da prescrição da pretensão punitiva. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. Incide a Súmula 691/STF, que veda o habeas corpus contra indeferimento liminar, estendendo-se à impugnação de decisão monocrática de relator sem prévio agravo interno, sob pena de supressão de instância. 6. A competência firmada pelo lugar da infração possui natureza relativa, o que autoriza a convalidação, pelo juízo posteriormente reconhecido como competente, dos atos anteriormente praticados. 7. No caso, considerando que a competência do Juízo Federal da 1ª Vara de Erechim-SJ/RS foi fixada em razão do lugar da infração, nada impedia a posterior convalidação dos atos praticados pelo Juízo Federal da 2ª Vara de Dourados/MS, o que inclui o ato de recebimento da denúncia. 8. Inexistência de prescrição da pretensão punitiva: o prazo de 8 anos (art. 109, IV, do CP) não transcorreu entre a data dos fatos (2011) e o recebimento da denúncia (27/6/2018), marco interruptivo válido. IV. DISPOSITIVO E TESE 9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido. Tese de julgamento: 1. O habeas corpus não pode ser utilizado para impugnar decisão monocrática de relator sem prévio agravo interno, salvo hipóteses de flagrante ilegalidade. 2. A competência territorial é relativa e permite a convalidação de atos decisórios, inclusive o recebimento da denúncia, pelo juízo posteriormente reconhecido como competente. Dispositivos relevantes citados: CP, art. 109, IV Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no HC 574.538/GO, Sexta Turma, j. 19.05.2020; STJ, AgRg no HC 556.467/MG, Sexta Turma, j. 03.03.2020; STJ, AgRg no HC 443.586/SP, Sexta Turma, j. 03.05.2018; STJ, EDcl no AgRg no AREsp 1.625.783/RJ, Quinta Turma, j. 17.11.2020; STJ, CC 184.317/MS

Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.