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AgRg no AREsp 202600025939 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 3142847
- Registro
- 202600025939
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOEL ILAN PACIORNIK
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-17
- Data de publicação
- DJEN DATA:22/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 17/06/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA.
ART. 155 DO CPP. PALAVRA DA VÍTIMA CORROBORADA. ABSOLVIÇÃO. SÚMULA
N. 7/STJ. AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão
monocrática que conheceu do agravo para não conhecer do recurso
especial, em ação penal por crimes sexuais contra vulnerável.
2. Fatos e fundamentos relevantes. A Defesa sustenta: (a) existência
de prequestionamento quanto ao laudo pericial; (b) condenação
baseada exclusivamente em elementos colhidos na fase inquisitorial;
e (c) fragilidade do conjunto probatório, com ausência de
confirmação dos atos sexuais em juízo, inexistência de testemunha
presencial e inexistência de elemento técnico independente.
3. Decisões anteriores. O Tribunal de origem manteve a condenação,
com fundamento na prova oral judicializada (depoimentos da vítima e
de testemunhas), reputando comprovadas a materialidade e a autoria,
e a decisão agravada não conheceu do recurso especial por ausência
de prequestionamento e necessidade de reexame do conjunto
fático-probatório (Súmula 7/STJ).
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há três questões em discussão: (i) saber se a tese relativa ao
laudo pericial está prequestionada, à luz da exigência de debate
explícito pelo Tribunal de origem; (ii) saber se a condenação se
baseou exclusivamente em elementos informativos do inquérito, em
afronta ao art. 155 do CPP; e (iii) saber se a pretensão absolutória
demanda reexame do conjunto fático-probatório, atraindo o óbice da
Súmula 7/STJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. Ausência de prequestionamento: a tese sobre o laudo pericial não
foi apreciada pelo Tribunal de origem e não foram opostos embargos
de declaração, inviabilizando o conhecimento em recurso especial. O
prequestionamento implícito exige discussão explícita da tese no
acórdão recorrido.
6. Inexistência de violação ao art. 155 do CPP: a condenação
apoiou-se em prova oral produzida em juízo, sob contraditório e
ampla defesa, incluindo depoimentos da vítima e da genitora, que
corroboraram os elementos informativos colhidos na fase
investigativa.
7. Suficiência probatória em crimes sexuais: a palavra da vítima,
quando coerente e amparada por outros elementos dos autos, possui
especial relevância para embasar o édito condenatório, mesmo na
ausência de testemunha presencial direta.
8. Óbice ao reexame fático-probatório: a pretensão absolutória
demandaria revolvimento do acervo probatório, providência vedada em
recurso especial pela Súmula 7/STJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento:
1. O recurso especial exige prequestionamento expresso ou implícito
das teses, sendo indispensável a apreciação da matéria pelo Tribunal
de origem. 2. Não há violação ao art. 155 do CPP quando a
condenação se apoia em prova oral produzida em juízo e submetida ao
contraditório, ainda que existam elementos informativos do inquérito
corroborados. 3. Em crimes sexuais, a palavra da vítima, se
coerente e corroborada por outros elementos, é apta a sustentar a
condenação. 4. O reexame do conjunto fático-probatório é vedado em
recurso especial, nos termos da Súmula 7/STJ.
Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 155; CPP, art. 386, VII;
Súmula 7/STJ
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula 7
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.