← Jurioteca
AgRg no RHC 202600575759 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 232535
- Registro
- 202600575759
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- OG FERNANDES
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-17
- Data de publicação
- DJEN DATA:23/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 17/06/2026
Ementa
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS.
MAUS-TRATOS. CÁRCERE PRIVADO QUALIFICADO. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA.
PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. GARANTIA DA ORDEM
PÚBLICA. CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL. MODUS OPERANDI. RISCO
DE REITERAÇÃO DELITIVA. INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PENA. MEDIDAS
CAUTELARES DIVERSAS INSUFICIENTES. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
1. A prisão preventiva pode ser decretada antes do trânsito em
julgado da sentença condenatória desde que estejam presentes os
requisitos previstos no art. 312 do CPP.
2. Foram constatados elementos concretos capazes de justificar a
privação cautelar da liberdade, pois o decreto prisional fundamentou
a medida com base na atuação do agravante em núcleo operacional de
comunidade terapêutica destinada, em tese, à captura, condução
forçada e manutenção ilegal de internos em situação de privação de
liberdade e maus-tratos.
3. A gravidade concreta das condutas imputadas, evidenciada pelo
modus operandi articulado, pela sedação indevida de vítimas, pelo
ambiente insalubre e pela restrição ilegal de liberdade, revela
periculosidade concreta apta a justificar a prisão preventiva para
garantia da ordem pública.
4. A atuação coordenada com divisão de tarefas e plena ciência da
ilicitude das condutas reforça a existência de vínculo associativo
estável, circunstância que autoriza a prisão cautelar para
interromper ou reduzir a atividade criminosa.
5. O histórico de transferência da atividade investigada para outra
comarca em razão de fiscalização evidencia indícios de continuidade
delitiva e reforça o risco concreto de reiteração criminosa.
6. A prisão preventiva regularmente fundamentada não configura
antecipação de pena nem afronta ao princípio constitucional da
presunção de inocência.
7. A existência de condições pessoais favoráveis, como primariedade,
residência fixa e ocupação lícita, não impede a manutenção da
prisão preventiva quando presentes os requisitos do art. 312 do
Código de Processo Penal.
8. A inadequação das medidas cautelares diversas da prisão fica
demonstrada quando o contexto fático evidencia insuficiência para
neutralizar o risco à ordem pública e assegurar a regularidade da
instrução criminal.
9. Agravo regimental improvido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.