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AgRg no RHC 202502049148 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 217307
- Registro
- 202502049148
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- MESSOD AZULAY NETO
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-15
- Data de publicação
- DJEN DATA:23/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 15/06/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ORDINÁRIO EM
HABEAS CORPUS. REQUISIÇÃO MINISTERIAL DE DADOS BANCÁRIOS SEM
AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. TEORIA DOS FRUTOS DA ÁRVORE ENVENENADA. FONTE
INDEPENDENTE. LIMITES COGNITIVOS DO HABEAS CORPUS. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão
monocrática que negou provimento a recurso ordinário em habeas
corpus, no qual se pleiteava o reconhecimento da nulidade de
requisição ministerial direta de dados bancários e, por
arrastamento, de medidas cautelares de sequestro de bens e bloqueio
de contas e da própria ação penal.
2. Fato relevante. A defesa sustenta: (a) desnecessidade de análise
aprofundada do conjunto fático-probatório; e (b) contaminação
probatória.
3. Decisão agravada. A decisão monocrática manteve o acórdão
estadual que reputou haver múltiplos elementos probatórios
independentes a justificar a quebra de sigilo bancário e fiscal e as
medidas cautelares patrimoniais, afastando a alegação de ilicitude
derivada e ressaltando a inadequação do habeas corpus para
revolvimento aprofundado do acervo probatório.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há duas questões em discussão: (i) saber se, na via estreita do
habeas corpus e do recurso ordinário correlato, é possível declarar,
de forma autônoma e abstrata, a ilicitude de prova decorrente de
requisição ministerial direta de dados bancários, sem autorização
judicial, sem exame do nexo de causalidade e da existência de fontes
independentes; e (ii) saber se, no caso concreto, a requisição
ministerial questionada contaminou o conjunto probatório que
fundamentou a quebra de sigilo bancário e fiscal e as medidas
cautelares de sequestro de bens e bloqueio de contas, ou se há
robusto suporte em fontes independentes de prova, aptas a manter as
medidas decretadas.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. O agravo regimental não apresenta argumentos novos ou relevantes
capazes de infirmar os fundamentos da decisão monocrática, a qual se
harmoniza com a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça.
6. A controvérsia não se limita à verificação da legalidade formal
da requisição ministerial de dados bancários, exigindo também a
análise da extensão do alegado vício e de sua aptidão para
contaminar os demais elementos de prova, o que demanda incursão no
acervo fático-probatório incompatível com a via estreita do habeas
corpus.
7. A teoria dos frutos da árvore envenenada, prevista no art. 157, §
1º, do Código de Processo Penal, pressupõe demonstração inequívoca
do nexo causal entre a prova ilicitamente obtida e as provas dela
derivadas, bem como a inexistência de fonte independente de prova,
nos termos do § 2º do mesmo dispositivo; ausentes tais requisitos,
não há contaminação do conjunto probatório.
8. No caso concreto, o agravante não demonstra o nexo de causalidade
entre a requisição ministerial à SIPAG/SICOOB e as subsequentes
medidas de quebra de sigilo e cautelares patrimoniais.
9. Esse conjunto indiciário, anterior e independente da requisição
impugnada, é suficiente, por si só, para demonstrar o fumus boni
iuris necessário ao deferimento das medidas cautelares restritivas
de direitos, caracterizando fonte independente de prova, na forma do
art. 157, § 2º, do Código de Processo Penal.
10. Não se admite, em habeas corpus, declaração de ilicitude de
provas in abstracto, relegando ao juízo de origem apenas a
delimitação do alcance do vício, por implicar pronunciamento em
tese, em descompasso com a natureza concreta e individualizadora do
remédio constitucional.
11. O habeas corpus e o recurso ordinário a ele sucedâneo não
constituem via adequada para reexame aprofundado do acervo
probatório, admitindo-se seu manejo apenas diante de ilegalidade
flagrante, clara e incontroversa, quadro não verificado na espécie,
ficando resguardada à defesa a possibilidade de discutir
exaustivamente a licitude das provas e o alcance de eventual vício
perante o juízo natural, no curso da instrução criminal.
12. Inexistindo demonstração de ilegalidade manifesta e não tendo o
agravante trazido fundamentos novos, impõe-se a manutenção integral
da decisão agravada pelos seus próprios fundamentos.
IV. DISPOSITIVO
Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.