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AgRg no AREsp 202600326570 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 3164304
- Registro
- 202600326570
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- JOEL ILAN PACIORNIK
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-16
- Data de publicação
- DJEN DATA:23/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 16/06/2026
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. MAUS-TRATOS E ESTUPRO DE VULNERÁVEL. VALOR
PROBATÓRIO DA PALAVRA DA VÍTIMA. SÚMULAS N. 7 E N. 83/STJ. AGRAVO
DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. O recurso. Agravo regimental interposto pela defesa contra
decisão que conheceu em parte o recurso especial e, nessa extensão,
fixou o regime inicial aberto quanto ao crime do artigo 136 do
Código Penal.
2. Fato relevante. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
manteve a condenação pelos artigos 136 e 217-A do Código Penal, com
fundamento em conjunto probatório coeso, incluindo boletim de
ocorrência, laudo do IML, imagens, relatório de serviço social,
perícia médica e prova oral colhida sob contraditório, além de
escuta especializada da vítima.
3. As decisões anteriores. As instâncias ordinárias desacolheram a
tese defensiva de insuficiência probatória e rejeitaram a alegada
violação ao artigo 386, VII, do Código de Processo Penal,
ratificando a condenação.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. A questão em discussão consiste em (i) saber se a alegada
insuficiência probatória pode ser acolhida em recurso especial por
meio de revaloração jurídica, afastando o óbice da Súmula 7/STJ; e
(ii) saber se o acórdão recorrido guarda consonância com a
orientação do Superior Tribunal de Justiça sobre o especial valor
probatório da palavra da vítima em crimes sexuais, atraindo a
incidência da Súmula 83/STJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. O agravo regimental é conhecido por ser tempestivo e por impugnar
a decisão agravada nos limites da controvérsia.
6. O conjunto probatório é robusto e harmônico para confirmar
materialidade e autoria dos crimes de maus-tratos e estupro de
vulnerável, com relatos da vítima em escuta especializada
corroborados por prova oral e documental produzida sob
contraditório, razão pela qual não há violação ao artigo 386, VII,
do Código de Processo Penal.
7. A pretensão defensiva demanda revolvimento fático-probatório,
providência vedada em recurso especial conforme Súmula 7/STJ.
8. O entendimento do Tribunal de origem está em consonância com a
orientação do Superior Tribunal de Justiça quanto ao especial valor
probatório da palavra da vítima em crimes de natureza sexual quando
coerente e apoiada em outros elementos dos autos, incidindo a Súmula
83/STJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento:
1. A palavra da vítima em crimes de natureza sexual, quando coerente
e corroborada por outros elementos, possui especial valor
probatório apto a sustentar a condenação. 2. O reexame do conjunto
fático-probatório é vedado em recurso especial, conforme Súmula
7/STJ. 3. A consonância do acórdão recorrido com a jurisprudência do
STJ atrai a incidência da Súmula 83/STJ. 4. O agravo regimental
deve ser conhecido quando tempestivo e quando impugna a decisão
agravada nos limites da matéria controvertida. Dispositivos
relevantes citados:CPP, art. 386, VII; CP, arts. 136 e 217-A; Súmula
7/STJ; Súmula 83/STJ
Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no AREsp 2.679.183/SC,
Quinta Turma, j. 04.02.2025; STJ, AREsp 2.600.425/SC, j. 20.06.2024;
STJ, AgRg nos EDcl no AREsp 3.128.042/ES, Quinta Turma, j.
14.04.2026
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.