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AgRg no HC 202601526960 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1090612
- Registro
- 202601526960
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- MESSOD AZULAY NETO
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-17
- Data de publicação
- DJEN DATA:23/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 17/06/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS
SUBSTITUTIVO. TRÁFICO DE DROGAS. APREENSÃO DE CELULAR. FLAGRANTE
DELITO. INVESTIGAÇÃO ROBUSTA. EXTRAÇÃO DE DADOS COM AUTORIZAÇÃO
JUDICIAL PRÉVIA. FUNDAMENTAÇÃO. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS.
INEXISTÊNCIA DE COAÇÃO ILEGAL. AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não
conheceu de habeas corpus, por ser substitutivo de recurso próprio,
no qual a defesa alegou coação ilegal derivada da apreensão de
celulares e extração de dados.
2. Fato relevante. O agravante foi preso em contexto de investigação
robusta sobre tráfico de drogas, com notícia prévia e fundamentada
de possível ocorrência de crime. Os aparelhos celulares foram
apreendidos, mas penas posteriormente periciados mediante
autorização judicial prévia.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A questão em discussão consiste em saber se: (i) o habeas corpus
pode ser conhecido como sucedâneo de recurso próprio; e (ii) a
apreensão de celular em contexto de investigação e flagrante, bem
como a subsequente extração de dados autorizada judicialmente,
atendem aos requisitos legais e constitucionais.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. O habeas corpus não se presta como substitutivo de recurso
previsto em lei, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo
constatação de flagrante ilegalidade (orientação consolidada no STJ
e STF).
5. Inexistência de coação ilegal apta a justificar concessão de
ofício, nos termos do art. 654, § 2º, do CPP.
6. A autoridade policial, diante de notícia fundamentada e crível de
possível crime, tem o poder-dever de proceder à abordagem e
apreender objetos relacionados ao fato sob investigação, nos termos
do art. 6º, II, do CPP; a apreensão dos celulares mostrou-se
legítima. O acesso ao conteúdo dos aparelhos exige autorização
judicial, que foi regularmente concedida; a decisão mencionou a
situação de flagrante e a possível utilização do aparelho na prática
delitiva, constituindo justificativa idônea, sendo válida a
fundamentação para a medida.
7. A desconstituição das premissas fáticas fixadas pelas instâncias
ordinárias demandaria revolvimento de fatos e provas, providência
incompatível com o rito do habeas corpus.
IV. DISPOSITIVO
8. Resultado do Julgamento: Agravo desprovido.
Dispositivos relevantes citados:
CPP, art. 6º, II; CPP, art. 157, § 2º; CPP, art. 654, § 2º.
Jurisprudência relevante citada:STJ, HC 535.063/SP, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, j. 10.06.2020; STF, AgRg no
HC 180.365, Rel. Min. Rosa Weber, j. 27.03.2020; STJ, HC
1.035.054/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, j.
18.11.2025, DJEN 27.11.2025; STJ, AgRg no AREsp 2.990.738/RS, Rel.
Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j. 07.10.2025, DJEN
13.10.2025; STJ, AgRg no HC 904.707/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, Quinta Turma, j. 19.08.2024, DJe 22.08.2024; STJ, AgRg no
HC 903.566/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j.
10.06.2024, DJe 12.06.2024; STJ, AgRg no HC 819.078/SP, Sexta Turma,
Rel. Min. Laurita Vaz, DJe 15.06.2023.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.