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REsp 202100525831 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1923919
- Registro
- 202100525831
- Classe
- RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- TEODORO SILVA SANTOS
- Órgão julgador
- SEGUNDA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-17
- Data de publicação
- DJEN DATA:23/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 17/06/2026
Ementa
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SISTEMA
FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. SEGURO HABITACIONAL. APÓLICES PÚBLICAS
(RAMO 66) E PRIVADAS. INTERESSE JURÍDICO DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL.
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. TEMA N. 1.011/STF. SÚMULA N.
150/STJ. ARTS. 1.022 E 489, § 1º, INCISOS IV E VI, DO CPC.
INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. REMESSA À JUSTIÇA
FEDERAL PARA ANÁLISE DO INTERESSE JURÍDICO. RECURSO PARCIALMENTE
PROVIDO.
1. Não há violação dos arts. 1.022 e 489, § 1º, incisos IV e VI, do
Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015). O acórdão recorrido
enfrentou de modo suficiente as questões relevantes para o deslinde
da controvérsia. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é
pacífica no sentido de que "não configura ofensa ao art. 1.022 do
CPC/2015 o fato de o Tribunal de origem, embora sem examinar
individualmente cada um dos argumentos suscitados pelo recorrente,
adotar fundamentação contrária à pretensão da parte, suficiente para
decidir integralmente a controvérsia" (AgInt no AREsp n.
2.448.701/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma) e que "o
órgão julgador não fica obrigado a responder um a um os
questionamentos da parte se já encontrou motivação suficiente para
fundamentar a decisão" (AgInt no REsp n. 2.018.125/SC, relator
Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma). Nesse sentido, também:
AgInt nos EDcl no REsp n. 2.124.369/RJ, relator Ministro Francisco
Falcão, Segunda Turma; AgInt no REsp n. 2.044.805/PR, relator
Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma; AgInt no AREsp n.
2.172.041/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma.
2. Em ações sobre seguro habitacional no âmbito do Sistema
Financeiro de Habitação (SFH), após a Medida Provisória n. 513/2010
(convertida na Lei n. 12.409/2011, com alterações pela Lei n.
13.000/2014), aplica-se a tese firmada pelo Supremo Tribunal Federal
no Tema n. 1.011, segundo a qual, para processos ajuizados antes da
entrada em vigor da MP n. 513/2010, sem sentença de mérito, "devem
os autos ser remetidos à Justiça Federal para análise do
preenchimento dos requisitos legais acerca do interesse da CEF ou da
União, caso haja provocação nesse sentido [...]". No caso, a ação
foi proposta em 2008 e, embora tenha havido sentença posteriormente
anulada, o Tribunal de origem aplicou corretamente o item n. 1.1 do
Tema n. 1.011/STF, à vista de provocação específica quanto ao
interesse jurídico da CEF em apólices públicas (ramo 66),
distinguindo-as das apólices privadas.
3. A competência para decidir sobre a existência de interesse
jurídico da Caixa Econômica Federal, na defesa do Fundo de
Compensação de Variações Salariais (FCVS), é da Justiça Federal, nos
termos da Súmula n. 150 do Superior Tribunal de Justiça: "[c]ompete
à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico
que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou
empresas públicas". Precedentes: AgInt no AREsp n. 761.046/MG,
relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma; AgInt
no REsp n. 1.537.156/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques,
Segunda Turma; AgInt no REsp n. 1.401.703/SP, relator Ministro
Francisco Falcão, Segunda Turma.
4. Recurso especial conhecido e parcialmente provido, para
determinar a remessa dos autos à Justiça Federal, a fim de que se
proceda à análise do interesse jurídico da CEF quanto aos contratos
vinculados a apólices públicas, permanecendo na Justiça Estadual
apenas as demandas relativas a apólices privadas.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.