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AgRg no AREsp 202600956758 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 3204815
- Registro
- 202600956758
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- CARLOS PIRES BRANDÃO
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-17
- Data de publicação
- DJEN DATA:25/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 17/06/2026
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. LESÃO CORPORAL EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA.
LEGÍTIMA DEFESA. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. REEXAME DE PROVAS.
SÚMULA Nº 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. SÚMULA Nº
284/STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão que conheceu do
agravo para não conhecer do recurso especial, anteriormente manejado
contra acórdão que manteve condenação pelo crime do art. 129, § 9º,
do Código Penal, em contexto de violência doméstica e familiar
contra a mulher.
2. O agravante sustenta insuficiência probatória, negativa de
autoria, indevida valorização da palavra da vítima e inversão do
ônus probatório quanto à legítima defesa. Requer o afastamento das
Súmulas nº 7/STJ e nº 284/STF e, no mérito, a absolvição com
fundamento no art. 386, VII, do CPP.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A controvérsia em discussão consiste em saber se a pretensão
absolutória fundada em insuficiência probatória, negativa de autoria
e legítima defesa pode ser examinada em recurso especial sem
reexame do conjunto fático-probatório, bem como se o dissídio
jurisprudencial foi adequadamente demonstrado nos termos do art.
1.029, § 1º, do CPC e do art. 255, § 1º, do RISTJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. O acórdão recorrido reconheceu a materialidade pelo laudo
traumatológico, que registrou escoriações e equimoses compatíveis
com o relato da vítima, considerado firme e alinhado com os demais
elementos probatórios, inclusive com o depoimento testemunhal e
laudo técnico.
5. A tese de legítima defesa foi afastada porque não houve
demonstração de agressão injusta, atual ou iminente por parte da
vítima, nem de uso moderado dos meios necessários.
6. A alteração dessas conclusões exigiria reexame do conjunto
fático-probatório, providência vedada em recurso especial, nos
termos da Súmula nº 7/STJ.
7. Em crimes praticados no contexto de violência doméstica, a
palavra da vítima possui especial relevância quando firme, coerente
e corroborada por outros elementos de prova, como ocorreu na
hipótese.
8. O dissídio jurisprudencial não foi demonstrado por cotejo
analítico entre os julgados confrontados. A mera transcrição de
ementas não atende ao art. 1.029, § 1º, do CPC e ao art. 255, § 1º,
do RISTJ, o que atrai a Súmula nº 284/STF.
IV. DISPOSITIVO
9. Agravo regimental desprovido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.