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RHC 202505062634 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 229791
- Registro
- 202505062634
- Classe
- RECURSO ORDINARIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- SEBASTIÃO REIS JÚNIOR
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-16
- Data de publicação
- DJEN DATA:23/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 16/06/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.
DEPOIMENTO ESPECIAL. INDEFERIMENTO DE PERGUNTAS À VÍTIMA. ALEGADA
NULIDADE. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.
1. O Depoimento Especial previsto na Lei n. 13.431/2017 constitui
procedimento com regras específicas para a oitiva de crianças e
adolescentes vítimas de violência, ouvidas perante autoridade
policial ou judiciária, voltado a evitar revitimização e,
simultaneamente, permitir o exercício do contraditório e da ampla
defesa, ainda que de forma mitigada.
2. O Tribunal de origem constatou que a defesa apresentou 37
perguntas, das quais 27 foram indeferidas, inexistindo negativa
absoluta de inquirição, e que a filtragem das perguntas observou
critérios técnicos (impertinência temática, caráter invasivo da
intimidade, risco de revitimização), compatíveis com a finalidade do
procedimento especial e com as balizas protetivas da Lei n.
14.245/2021.
3. As perguntas indeferidas foram submetidas à análise prévia de
profissional habilitada, que avaliou, com base em critérios técnicos
e legais, a possibilidade de revitimização, exposição desnecessária
ou constrangimento à vítima, sendo a decisão sobre a pertinência
das questões de natureza técnica e compatível com a proteção
assegurada pela Lei n. 13.431/2017 e pela Lei n. 14.245/2021.
4. O contraditório foi assegurado, pois a defesa participou do ato,
apresentou perguntas que foram selecionadas e adequadas pela
profissional responsável pela escuta, em conformidade com o art. 22
da Resolução n. 299/2019 do Conselho Nacional de Justiça e com o
art. 400, § 1º, do Código de Processo Penal, que autorizam o
indeferimento de perguntas impertinentes, repetitivas ou
desnecessárias.
5. Em matéria de nulidades, aplica-se o princípio pas de nullité
sans grief (art. 563 do Código de Processo Penal), impondo-se a
demonstração de prejuízo concreto, o que não ocorreu, pois a
impugnação não evidenciou de que forma as perguntas indeferidas eram
indispensáveis à elucidação dos fatos ou à exploração da tese
defensiva, tanto mais quando exemplificadas por questões de escassa
relevância para a imputação, como indagações sobre leitura de
placas, relacionamento afetivo atual ou vínculo com pessoa envolvida
com facção criminosa.
6. A reiteração do Depoimento Especial é medida excepcional,
conforme art. 11, § 2º, da Lei n. 13.431/2017, condicionada à
imprescindibilidade devidamente justificada e à concordância da
vítima ou de seu representante, requisitos não demonstrados no caso
concreto, sendo a renovação do ato apta a aumentar o risco de
revitimização.
7. Recurso em habeas corpus improvido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.