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EDcl no AgRg no RHC 202504565129 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 227936
- Registro
- 202504565129
- Classe
- EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO DE HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- CARLOS PIRES BRANDÃO
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-24
- Data de publicação
- DJEN DATA:29/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 24/06/2026
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO
REGIMENTAL EM RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO
QUALIFICADO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INDÍCIOS SUFICIENTES DE
AUTORIA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. CONTRADIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
TESTEMUNHOS INDIRETOS E PROVAS INQUISITORIAIS. MATÉRIA DE PROVA.
PRISÃO PREVENTIVA. MOTIVOS ENSEJADORES. VERIFICADOS. OMISSÃO.
INEXISTÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA DOS
ACLARATÓRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de Declaração no Agravo Regimental interposto contra
decisão monocrática que negou provimento ao recurso ordinário em
habeas corpus, mantendo a denegação da ordem proferida pelo Tribunal
de Justiça do Estado de Pernambuco em writ que postulava
trancamento da ação penal e revogação da prisão preventiva.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há cinco questões em discussão: (i) saber se há contradição
interna na decisão agravada; (ii) saber se houve omissão quanto ao
uso de testemunhos indiretos (hearsay testemony) em fase
inquisitorial; e (iii) saber se houve omissão quanto à distinção
entre o fumus comissi delicti e periculum libertatis verificados
pelo acórdão.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. O acórdão embargado não apresenta contradição interna, pois
afasta o revolvimento probatório e reconhece suporte indiciário
mínimo para rejeitar o trancamento sem exame aprofundado.
4. As expressões enfáticas mencionadas pela Defesa provêm de trechos
literais utilizados pela Corte estadual transcritos no voto
condutor, não constituindo pilar autônomo de valoração do acórdão e,
em termos juridicamente verificados, não integrou a respectiva
ratio utilizada para o não trancamento da ação penal.
5. O controle sobre a qualidade e suficiência de testemunhos
indiretos (hearsay testemony) é matéria de mérito e deve ocorrer em
fase de regular instrução processual, sob o crivo do contraditório,
sendo incompatível com a via estreita do recurso ordinário em habeas
corpus, sobretudo quando se objetiva o trancamento de ação penal ou
revogação de custódia cautelar.
6. A alegação de nulidade probatória por exclusividade de elementos
inquisitoriais e testemunhos de ouvir dizer demanda avaliação
reservada ao Juízo de conhecimento, pois envolve exame do conjunto
probatório, que, in casu, ainda há de ser produzido.
7. Os embargos de declaração não se prestam ao reexame do mérito da
decisão, nem funcionam como sucedâneo recursal, notadamente quando
livre de vícios, e a motivação já enfrentou, de modo suficiente, os
fatores determinantes do resultado.
8. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, os
embargos de declaração supõem defeitos na mensagem do julgado, de
modo que não está o julgador obrigado a rebater, um a um, todos os
argumentos das partes, bastando que resolva a situação que lhe é
apresentada sem se omitir a respeito dos fatores capazes de influir
no resultado do julgamento. Precedentes.
IV. DISPOSITIVO
9. Embargos de declaração rejeitados.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.