← Jurioteca
AgInt no AREsp 202504017253 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 3080166
- Registro
- 202504017253
- Classe
- AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- FRANCISCO FALCÃO
- Órgão julgador
- SEGUNDA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-24
- Data de publicação
- DJEN DATA:29/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 24/06/2026
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA E REPETIÇÃO DE
INDÉBITO. DISCUSSÃO A RESPEITO DOS ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA E
DA TAXA DE JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
CONSECTÁRIOS LEGAIS FIXADOS PELO ESTADO SE LIMITAM AOS PERCENTUAIS
ESTABELECIDOS PELA UNIÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO
OCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA
DA SÚMULA N. 7/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 211/STJ
E SÚMULAS N. 282 E 356/STF. COMPATIBILIDADE ENTRE A INEXISTÊNCIA DE
OFENSA AO ART. 1.022 E A FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. DESPROVIMENTO
DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
I - Na origem, trata-se de ação declaratória e de repetição de
indébito em desfavor do Estado do Espírito Santo, visando à
declaração do direito da autora de não ser submetida à exigência de
juros moratórios, à condenação do réu para restituir à autora os
valores recolhidos a maior e para pagar os honorários de
sucumbência. Na sentença, julgou-se o pedido procedente em parte. No
Tribunal a quo, a sentença foi mantida.
II - Não se configura violação do art. 1.022 do CPC/2015
(correspondente ao art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal de origem
aprecia, de forma clara e fundamentada, as questões essenciais ao
deslinde da controvérsia, expondo adequadamente os fundamentos que
embasaram seu convencimento, nos termos do art. 165 do CPC/1973 e do
art. 489 do CPC/2015, ainda que a conclusão adotada seja
desfavorável aos interesses da parte recorrente, como ocorre na
hipótese dos autos.
III - A jurisprudência consolidada desta Corte firmou entendimento
de que o magistrado não está compelido a enfrentar, individualmente,
todas as alegações deduzidas pelas partes, desde que tenha
apresentado fundamento suficiente para solucionar a controvérsia. O
disposto no art. 489 do CPC/2015 apenas reafirma orientação já
sedimentada no Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que
incumbe ao julgador apreciar apenas as questões aptas a infirmar a
conclusão adotada no decisum. Nesse sentido: EDcl no MS n.
21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada
do TRF da 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe
15/6/2016.
IV - No tocante ao mérito da controvérsia, constata-se que o
Tribunal de origem examinou a matéria à luz do conjunto
fático-probatório constante dos autos. Desse modo, eventual
conclusão em sentido diverso demandaria o reexame de fatos e provas,
providência inviável na via do recurso especial, em razão do óbice
previsto na Súmula n. 7/STJ, segundo a qual "a pretensão de simples
reexame de prova não enseja recurso especial".
V - Quanto às alegações de afronta aos arts. 322, § 2º, e 85 do CPC,
verifica-se a ausência de prequestionamento da matéria,
circunstância que impede o conhecimento do recurso especial. Isso
porque compete a esta Corte apreciar apenas questões efetivamente
debatidas e decididas pelo Tribunal de origem. Incide, portanto, o
entendimento consagrado na Súmula n. 211/STJ: "inadmissível recurso
especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos
declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo", além da
aplicação, por analogia, das Súmulas n. 282 e 356 do STF.
VI - Ademais, é firme a orientação desta Corte no sentido de que não
há incompatibilidade entre o reconhecimento da inexistência de
ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a incidência da Súmula n.
211/STJ, nas hipóteses em que as teses suscitadas pela parte
recorrente não são examinadas pelo Tribunal local por considerar
suficientes, para a solução da lide, os fundamentos já adotados no
acórdão recorrido.
VII - Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.234.093/RJ, relator
Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em
24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.173.531/SP, relator
Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe
26/3/2018.
VIII - Agravo interno improvido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.