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EDcl no AREsp 202504248409 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 3092493
- Registro
- 202504248409
- Classe
- EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- MOURA RIBEIRO
- Órgão julgador
- TERCEIRA TURMA
- Data da decisão
- 2026-06-22
- Data de publicação
- DJEN DATA:29/06/2026
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 22/06/2026
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA N. 7/STJ.
DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PELA ALÍNEA C. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO
E SIMILITUDE FÁTICA. PENHORA DE BEM DE FAMÍLIA. ART. 3º, II, DA LEI
8.009/1990 E ART. 833, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL (CPC).
ANALOGIA ADEQUADA. EMBARGOS REJEITADOS.
1. Embargos de declaração opostos contra acórdão que, em agravo, não
conheceu do recurso especial em cumprimento de sentença envolvendo
penhora de bem de família, com discussão sobre dívida vinculada ao
próprio imóvel.
2. A questão recursal consiste em verificar se houve (i) contradição
interna na aplicação da Súmula n. 7/STJ diante do reconhecimento de
premissas fáticas pelas instâncias ordinárias; (ii) omissão sobre a
tese de revaloração jurídica de fato incontroverso; (iii)
contradição no exame do dissídio pela alínea c com suposta
sobreposição indevida das Súmulas n. 7 e 83/STJ; (iv) omissão sobre
a distinção entre financiamento aquisitivo/construtivo (art. 3º, II,
da Lei 8.009/1990) e crédito por benfeitorias após resolução por
inadimplemento.
3. Não há contradição: o acórdão embargado reconhece as premissas
fáticas fixadas na origem e, justamente por a insurgência pretender
redefinir a natureza do crédito e sua vinculação ao bem, conclui
pela necessidade de revolvimento fático-probatório, o que atrai a
Súmula n. 7/STJ.
4. Não há omissão: a tese de revaloração é enfrentada e afastada por
demandar requalificação fático-jurídica da obrigação; além disso, a
leitura conjugada do art. 3º, II, da Lei 8.009/1990 com o art. 833,
§ 1º, do CPC é considerada adequada à orientação desta Corte.
5. No dissídio da alínea c, não há contradição: a ausência de
similitude fática e de cotejo analítico impede o conhecimento do
dissídio; a referência ao entendimento jurisprudencial atua como
reforço argumentativo e não configura sobreposição indevida de
súmulas.
6. A distinção entre financiamento aquisitivo/construtivo e crédito
por benfeitorias é enfrentada, mantendo-se a pertinência da analogia
aplicada para dívidas diretamente vinculadas ao negócio do próprio
imóvel.
7. Embargos de declaração rejeitados.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.