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AgRg no HC 202501612090 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 1001874
- Registro
- 202501612090
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- OTÁVIO DE ALMEIDA TOLEDO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJSP)
- Órgão julgador
- SEXTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-27
- Data de publicação
- DJEN DATA:01/09/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 27/08/2025
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. CRIME DE TRÁFICO DE
DROGAS. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL.
INADMISSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de
habeas corpus impetrado como substitutivo de revisão criminal, sem
inauguração da competência do Superior Tribunal de Justiça.
II. Questão em discussão
2. A discussão consiste em saber se é admissível o habeas corpus
manejado como substitutivo de revisão criminal em caso de condenação
já transitada em julgado, sem inauguração da competência do STJ.
3. A questão também envolve a análise sobre eventual existência de
flagrante constrangimento ilegal na dosimetria da pena do agravante.
III. Razões de decidir
4. O habeas corpus não é conhecido quando impetrado como
substitutivo de revisão criminal em caso de condenação já transitada
em julgado, sem inauguração da competência do STJ, conforme
entendimento consolidado.
5. A exasperação da pena-base do condenado foi adequadamente
fundamentada considerando a relevante quantidade e diversidade das
drogas apreendidas, bem como as circunstâncias do delito, extraídas
principalmente do tempo de duração da prática criminosa, tendo sido
adotado o patamar de aumento de 1/6 (um) sexto para cada vetorial, o
que está em consonância à jurisprudência desta Corte.
6. Não é possível desconstituir a conclusão da jurisdição ordinária
quanto à dedicação do réu a atividade criminosa e, por conseguinte,
reconhecer a causa de redução de pena prevista no art. 33, § 4º, da
Lei de Drogas, sendo vedado, na presente via, revolver o contexto
fático-probatório dos autos.
7. O regime inicialmente fechado é o adequado quando a pena
reclusiva é superior a quatro anos e há circunstâncias judiciais
desfavoráveis, em conformidade à previsão do art. 33, § 3º, c/c o
art. 59, ambos do Código Penal.
IV. Dispositivo e tese
8. Agravo regimental não provido.
Tese de julgamento: 1. O habeas corpus não é admissível como
substitutivo de revisão criminal em caso de condenação já transitada
em julgado, sem inauguração da competência do STJ. 2. A dosimetria
da pena deve ser fundamentada de forma concreta e proporcional às
circunstâncias do caso. 3. A revisão do conjunto fático-probatório
não é cabível na via do habeas corpus. 4. O regime inicial mais
gravoso é justificado quando a pena reclusiva é superior a quatro
anos e há circunstâncias judiciais desfavoráveis.
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, inciso I, "e";
CP, arts. 33, § 3º, e 59; Lei n. 11.343/2006, art. 33, caput e § 4º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC n. 903.573/RS,
rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 16/10/2024;
STJ, AgRg no REsp n. 2.158.154/PR, rel. Min. Antonio Saldanha
Palheiro, Sexta Turma, julgado em 21/5/2025; STJ, AgRg no HC n.
825.816/BA, rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do
TJDFT), Sexta Turma, julgado em 11/9/2023; STJ, AgRg no AREsp n.
2.463.014/SP, rel. Min. Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em
8/4/2025.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.