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AgRg no AREsp 202501158000 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2899735
- Registro
- 202501158000
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- CARLOS CINI MARCHIONATTI (DESEMBARGADOR CONVOCADO TJRS)
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-19
- Data de publicação
- DJEN DATA:03/09/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 19/08/2025
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. ART. 217-A DO CP.
RELACIONAMENTO AMOROSO ENTRE JOVEM DE 19 ANOS E ADOLESCENTE DE 13
ANOS. CONSENTIMENTO DA OFENDIDA. NASCIMENTO DE FILHO. ASSISTÊNCIA
MATERIAL. ERRO DE PROIBIÇÃO. SITUAÇÃO EXCEPCIONALÍSSIMA.
DISTINGUISHING DA SÚMULA 593/STJ. ABSOLVIÇÃO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto por E. L. de A. F. em relação à
decisão monocrática do Relator, que havia negado provimento ao
recurso especial para manter sua condenação à pena de 8 anos de
reclusão, em regime semiaberto, pela prática de fato tipificado como
estupro de vulnerável (art. 217-A do Código Penal). A defesa
postula a absolvição e alega erro de proibição, dada a pequena
diferença de idade, consentimento da vítima e manutenção de vínculo
familiar decorrente do nascimento de filho da relação entre réu e
vítima.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é possível afastar
a aplicação literal do art. 217-A do CP e da Súmula 593 do STJ
diante das particularidades do caso concreto; (ii) estabelecer se a
conduta do agravante pode ser considerada atípica em razão de erro
de proibição inescusável, configurando hipótese de exclusão da
culpabilidade.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A jurisprudência consolidada do egrégio Superior Tribunal de
Justiça, por meio da Súmula 593, estabelece que a vulnerabilidade de
menores de 14 anos é absoluta e irrelevante o consentimento, a
experiência sexual anterior ou a existência de relacionamento
afetivo. Mesmo assim, a subsunção da tese uniforme não pode afastar
a análise das circunstâncias do caso concreto.
4. No caso, o relacionamento se deu entre jovem de 19 anos e
adolescente de 13 anos, com consentimento da ofendida, ciência e
aceitação da família, sobrevindo o nascimento de um filho, ao qual o
agravante sempre prestou assistência afetiva e material. O acervo
probatório revela que o agravante incorreu em erro de proibição, sem
plena consciência da ilicitude de sua conduta no contexto de uma
união estável e pública.
5. A proteção integral da criança nascida da relação, garantida pelo
art. 227 da Constituição da República e pela Lei 13.257/2016 (Marco
Legal da Primeira Infância), justifica solução que preserve o
núcleo familiar constituído e evite traumas mais graves decorrentes
de condenação penal dpo réu como pai.
6. A técnica do distinguishing autoriza o afastamento da tese
sumulada quando as peculiaridades do caso concreto revelam
inexistência de lesão relevante ao bem jurídico tutelado.
7. A subsunção formal da conduta ao art. 217-A do CP deixa de se
converter automaticamente em infração penal material, diante da
ausência de relevante lesão social.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Agravo regimental provido para absolver o recorrente, com
fundamento no art. 386, III, do CPP.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.