← Jurioteca
AgRg no RHC 202500405330 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 211181
- Registro
- 202500405330
- Classe
- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
- Relator(a)
- CARLOS CINI MARCHIONATTI (DESEMBARGADOR CONVOCADO TJRS)
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-09-03
- Data de publicação
- DJEN DATA:08/09/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 03/09/2025
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO E ASSOCIAÇÃO
PARA O TRÁFICO DE DROGAS. DENEGADO O DIREITO DE RECORRER EM
LIBERDADE. IDONEIDADE. RÉU FORAGIDO POR LONGO PERÍODO. GRAVIDADE DA
CONDUTA. QUANTIDADE RELEVANTE DE DROGA. ESTADO DE SAÚDE CONTROLADO.
MEDIDAS CAUTELARES INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão que negou provimento
ao recurso em habeas corpus, mantendo a prisão preventiva decretada
em ação penal na qual foi denunciado pelos crimes previstos nos
arts. 33, caput, c/c os arts. 40, V, e 35, todos da Lei n.
11.343/2006.
2. A defesa sustenta ausência de contemporaneidade na prisão,
questiona a alegação de fuga e aponta condição de saúde incompatível
com o cárcere. Requereu a revogação da custódia preventiva, com
concessão de liberdade provisória ou aplicação de medidas cautelares
diversas.
3. Consta dos autos sentença condenatória proferida em 7/2/2025,
fixando pena de 15 anos de reclusão, em regime inicial fechado, e
2.100 dias-multa, sendo indeferido o direito de recorrer em
liberdade.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há duas questões em discussão: (i) determinar se a manutenção da
prisão preventiva encontra fundamento concreto e atual,
especialmente diante da alegação de que o agravante não se
encontrava foragido; (ii) verificar se o estado de saúde do réu
justifica a substituição da prisão por medida cautelar alternativa.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. A manutenção da prisão preventiva fundamenta-se em elementos
concretos, como a quantidade de entorpecentes apreendida (2.829g de
maconha), a inserção em organização criminosa voltada ao tráfico, e
a fuga por quase 10 anos, evidenciando risco à ordem pública e à
aplicação da lei penal.
6. A jurisprudência consolidada do STJ e do STF reconhece que a
condição de foragido por longo período configura fundamento legítimo
para a prisão preventiva, mesmo sem contemporaneidade estrita.
7. As informações prestadas pela unidade prisional demonstram que o
agravante recebe tratamento médico adequado para sua condição de
diabetes mellitus tipo 1, inclusive com uso regular de insulina e
acompanhamento constante, inexistindo comprovação de risco concreto
à sua saúde.
8. A gravidade concreta dos delitos e a periculosidade do agente
revelam a insuficiência das medidas cautelares previstas no art. 319
do CPP, as quais se mostram inadequadas para os fins de
acautelamento processual no caso específico.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Agravo regimental desprovido.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.