← Jurioteca
AREsp 202500459304 — STJ
- Tribunal
- STJ
- Processo
- 2855344
- Registro
- 202500459304
- Classe
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- Relator(a)
- REYNALDO SOARES DA FONSECA
- Órgão julgador
- QUINTA TURMA
- Data da decisão
- 2025-08-05
- Data de publicação
- DJEN DATA:25/08/2025
- Tipo
- ACÓRDÃO
Julgado em 05/08/2025
Ementa
PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FURTO
QUALIFICADO. NULIDADE DA PROVA ORAL. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE
PREJUÍZO. ABSOLVIÇÃO. SÚMULA 284/STF. REVOLVIMENTO DE MATÉRIA
FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. REGIME MAIS GRAVOSO E
IMPOSSIBILIDADE DA SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR
RESTRITIVAS DE DIREITOS. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL DE FELIPE CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTOAO RECURSO
ESPECIAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL DE LORRAINE CONHECIDO PARA
CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA PARTE, NEGAR-LHE
PROVIMENTO.
1. A leitura de depoimento prestado em sede policial não é causa de
nulidade da oitiva de testemunhas, pois, segundo a jurisprudência
desta Corte Superior, "o art. 204, parágrafo único, do Código de
Processo Penal, autoriza a breve consulta a apontamentos até mesmo
durante a oitiva, inexistindo ilegalidade no fato de que as
testemunhas, policiais civis, que participaram da investigação e
conheciam o inquérito policial, tenham consultado a peça da qual já
tinham conhecimento, ou até a seu depoimento anterior, antes de
serem ouvidos pelo Magistrado" (HC n. 145.474/RJ, relatora Ministra
Maria Thereza de Assis Moura, relator para acórdão Ministro
Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 6/4/2017, DJe de
30/5/2017) (AgRg no AREsp n. 1.170.087/SP, relator Ministro Rogerio
Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 22/11/2022, DJe de
29/11/2022.)
2. Ademais, a jurisprudência do STJ é firme no entendimento de que
não se declara a nulidade do ato processual se a arguição do vício
não vier acompanhada da prova do efetivo prejuízo para a parte, em
consonância com o princípio pas de nullité sans grief, o que não
ficou demonstrado pela parte.
3. No tocante ao pedido de absolvição, nas razões do recurso
especial, Lorraine não indicou os dispositivos legais supostamente
ofendidos, o que impede a adequada compreensão da controvérsia,
atraindo a aplicação da Súmula n. 284/STF.
4. Mesmo que superado tal óbice, o Tribunal a quo, em decisão
devidamente motivada, entendeu que, do caderno instrutório,
emergiram elementos suficientemente idôneos de prova, colhidos nas
fases inquisitorial e judicial, aptos a manter a condenação da
acusada pelo crime de furto qualificado. Assim, rever os fundamentos
utilizados pela Corte de origem, para concluir pela absolvição, por
ausência de prova concreta para a condenação, como requer a defesa,
importa revolvimento de matéria fático-probatória, vedado em
recurso especial, segundo óbice da Súmula n. 7/STJ.
5. Em atenção aos artigos 33, § 2º, alínea "c", e 44 do CP, embora
estabelecida a pena definitiva da acusada em 4 anos de reclusão,
houve a consideração de circunstâncias judiciais negativas
(culpabilidade e consequências do delito) na exasperação da
pena-base, fundamento a justificar a manutenção de regime prisional
mais gravoso, no caso, o semiaberto, e a impossibilidade da
substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de
direitos.
6. Agravo interposto por LORRAINE BARBARA BERLOCHE conhecido para
conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar-lhe
provimento. Agravo interposto por FELIPE DE SOUZA GOUVEIA
conhecido para negar provimento ao recurso especial.
Fonte: STJ — acervo público. Buscar o inteiro teor deste processo na Biblioteca.